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09 de abril de 2010
Enem: revolução educacional
Autor(a): Ana Paula Monteiro de Carvalho*
09 Abr 2010 - 02h01min
A Universidade Federal do Ceará (UFC), ao decidir pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como única forma de ingresso, iniciou uma revolução educacional. Mas para enxergar isso, precisamos ser educadores e não apenas professores. Para realizarmos qualquer transformação, precisa-se das condições objetivas e dos agentes da transformação. Nesse sentido, vejo a decisão da UFC como essa condição objetiva, uma oportunidade histórica para modificar nossas práticas pedagógicas.
No Enem, o cerne é a compreensão do real, o que potencialmente cria espaços de diálogo e de construção do conhecimento. Usar o conhecimento para compreender a realidade é dar sentido a esse conhecimento. Se a avaliação nos cobra essa dimensão do saber, necessariamente teremos que desenvolver metodologias nessa perspectiva.
Como é possível que educadores se oponham a essa proposta? Talvez estejamos tão condicionados à fragmentação do currículo que ainda sejamos capazes de defender um modelo denunciado há décadas como educação bancária. Talvez não consigamos perceber que a defesa do vestibular tradicional é uma absoluta negação de qualquer ação curricular que proponha compor o indivíduo em sua integralidade, hoje esfacelada em disciplinas tão desconexas que não conseguem dar sentido aos seus pedaços de saber.
Talvez não tenhamos compreendido que todos os esforços investidos para formar pessoas que saibam conviver tenham se perdido nas listas de aprovação do vestibular, estampadas como troféus. Não seria maravilhoso se pudéssemos superar essa dicotomia, formar pessoas e preparar para a universidade? O Enem nos dá essa condição, pois é muito mais do que um exame, é a materialização de uma proposta curricular consistente e coerente com os princípios de uma
educação emancipadora.
*Ana Paula Monteiro de Carvalho - Professora de História da rede pública estadual
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A Universidade Federal do Ceará (UFC), ao decidir pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como única forma de ingresso, iniciou uma revolução educacional. Mas para enxergar isso, precisamos ser educadores e não apenas professores. Para realizarmos qualquer transformação, precisa-se das condições objetivas e dos agentes da transformação. Nesse sentido, vejo a decisão da UFC como essa condição objetiva, uma oportunidade histórica para modificar nossas práticas pedagógicas.
No Enem, o cerne é a compreensão do real, o que potencialmente cria espaços de diálogo e de construção do conhecimento. Usar o conhecimento para compreender a realidade é dar sentido a esse conhecimento. Se a avaliação nos cobra essa dimensão do saber, necessariamente teremos que desenvolver metodologias nessa perspectiva.
Como é possível que educadores se oponham a essa proposta? Talvez estejamos tão condicionados à fragmentação do currículo que ainda sejamos capazes de defender um modelo denunciado há décadas como educação bancária. Talvez não consigamos perceber que a defesa do vestibular tradicional é uma absoluta negação de qualquer ação curricular que proponha compor o indivíduo em sua integralidade, hoje esfacelada em disciplinas tão desconexas que não conseguem dar sentido aos seus pedaços de saber.
Talvez não tenhamos compreendido que todos os esforços investidos para formar pessoas que saibam conviver tenham se perdido nas listas de aprovação do vestibular, estampadas como troféus. Não seria maravilhoso se pudéssemos superar essa dicotomia, formar pessoas e preparar para a universidade? O Enem nos dá essa condição, pois é muito mais do que um exame, é a materialização de uma proposta curricular consistente e coerente com os princípios de uma
educação emancipadora.
*Ana Paula Monteiro de Carvalho - Professora de História da rede pública estadual
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