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14 de maio de 2009
Texto da Ficha 8 (Fundamnetos de Língua Portuguesa)
Autor(a): Terezinha Machado*
A postura metodológica do Professor e a formação do aluno como usuário da língua e como cidadão.
A postura de um professor deve ser antes de tudo, reflexiva, não se pode imaginar depois de tantas pesquisas levando em consideração a prática e a teoria que um professor do século XXI deixe de refletir sobre o porquê de suas ações em sala de aula.
A abordagem do tema será sobre a questão do Professor de Língua Portuguesa seja um pesquisador, que não se limite a seguir os passos traçados pelo escritor do livro didático.
Afinal este escritor escreve para um universo que vai desde o Amapá até o Rio Grande do Sul. Não há, certamente, uma fórmula que um escritor de livro didático possa seguir que privilegie um universo de leitores tão diversos, tão específicos.
Por que então se vê tanto professor que se não tiver um livro texto, com os exercícios respondidos, de preferência se sente inseguro em dar sua aula?
A formação do Professor, com certeza, apontará a causa dessa equivocada postura metodológica. Nos cursos de graduação, muitas vezes, o próprio professor de Ensino Superior não se tornou um pesquisador que pudesse lhe garantir a construção de seu saber.
Precisa-se de uma boa base teórica para desenvolverem-se as teorias que envolvem a Língua, suas normas e suas regras. Mas não há como deixar de lado um outro aspecto talvez mais importante que é a língua em uso. Não se pode abandonar a questão da reflexão sobre o que se está ensinando, para quem e porquê.
Necessita-se formar professores comprometidos com a transformação da escola no intuito de auxiliar a superação do fracasso escolar. Este professor precisa ter como objetivo tornar seu aluno um bom usuário da Língua Portuguesa para que possa ser um cidadão pleno, com a visão de todos os seus direitos e deveres. Sabe-se que não dá para dizer que alguém é um cidadão se o mesmo não domina a leitura e a escrita, dando interpretação ao que lê. Ler sem entender é engrossar fileira do analfabetismo funcional.
Na boa formação do professor da língua materna é necessário que entrem outras conhecimentos advindos da Psicolingüística, da Lingüística, da Sociolingüística, da Pedagogia, da Sociologia e da Psicopedagogia cognitiva, entre outras áreas do conhecimento. Isto quer dizer que a formação do professor deve ser de cunho interdisciplinar.
A metodologia deve passar por uma mudança na concepção do que é a leitura e a escrita e como proceder no seu ensino na escola.
A metodologia também aponta para que se trabalhe em situações reais e significativas para os alunos.
Textos que não tenham significação não despertarão o interesse das crianças, conseqüentemente levarão as crianças a uma má interpretação.
O professor deve proceder a um trabalho que defenda a produção da criança como algo singular, único, que retrata o nível de pensamento e o nível de seu desenvolvimento.
Nada melhor para se ter a dimensão do crescimento de uma criança ou da dificuldade que possa ter sobre a organização e a lógica do pensamento do que ler um texto produzido por ela. Pode-se perceber que competências essa criança tem e como está se encaminhando para criar habilidades na escrita ou na leitura. O texto é o seu retrato.
No texto do link sugerido há um trecho que reforça o que até aqui foi mencionado: “(...)Sem dúvida, não estamos concebendo aqui reflexão como um ato isolado, individualizado de pensamento que não vai além do professor em si mesmo. Mas, tal como nos aponta Zeichner (1993, p.25) sobre a prática do professor reflexivo, “a atenção do professor está tanto virada para dentro, para sua própria prática, como para fora, para as condições sociais nas quais se situa esta prática”, portanto, em uma experiência que abre possibilidades de sentido para cada um e que, por essa mesma condição, clama por ser
compartilhada. Trata-se de um intenso ato de reflexão, que não se dá no vazio, que é deflagrado na vivência, na experiência, na ação cotidiana, no encontro com outros (alunos, professores etc.). Isso pede de cada um de nós empenho, esforço e interrogação constantes
que não se encerram na busca de respostas individuais isoladas.
Transcendem-nas; vão além da idéia de se ter uma opinião e da concepção de experiência como uma condição constitutiva inata do humano.”
Os PCNs colocam ao lado das atividades de leitura e produção de textos escritos, a escuta e a produção de textos orais como forma de atender às diversas demandas sociais, além de responder a diferentes propósitos comunicativos e expressivos e, também, de
considerar as diferentes condições de produção do discurso (Brasil, 1998). O aluno seria encaminhado, assim, a reconhecer-se em sua própria variedade lingüística, bem como conhecer e valorizar as demais.
No que diz respeito à escuta de textos orais, o referido documento prevê que, nesse processo, os alunos sejam levados à ampliação dos conhecimentos semânticos, discursivos e gramaticais que auxiliam na construção do sentido no texto. Além do reconhecimento dos elementos não-verbais que participam da elaboração dos textos orais, há, também, preocupação com o aperfeiçoamento de suas habilidades para compreender os elementos
subjacentes ao texto e da capacidade de utilização da língua escrita como apoio para registrar, documentar e analisar textos orais. Tais atividades, a nosso ver, podem criar oportunidades de diálogo entre professores e alunos, alunos entre si e destes com o mundo que os cerca. Do diálogo, surge a reflexão que implica valorização do conhecimento prévio e da experiência dos envolvidos. Além disso, na produção de textos orais, espera-se que os
alunos consigam, entre outras habilidades, planejar a fala pública tendo como parâmetro a linguagem escrita, de acordo com as exigências da situação. Da mesma forma, espera-se que sejam capazes de monitorar sua fala, com vistas à sua intenção comunicativa e à
reação do interlocutor; de perceber os efeitos de sentidos que os elementos prosódicos e gestuais podem produzir e, ainda, de ajustar o texto à variedade lingüística adequada à situação comunicativa.
Em relação à formação de usuários da língua materna com vistas à cidadania, faz-se necessário que o professor valorize a individualidade da criança e abandone a prática de se trabalhar com modelos.
O modelo já traz em si uma mensagem subliminar: você vai seguir este modelo porque não acredito que possa fazer sozinho, ou melhor.
A Professora Edwiges Zaccur, no seu artigo “Aprendiz de modelo ou modelo de aprendiz” diz: “Geralmente, os Cursos de Formação de Professores enfatizam o planejamento e a avaliação. Pouco ou nenhum espaço é concedido ao repensar o fazer pedagógico ou análise das produções dos alunos, buscando, no avesso dos enunciados, informações sobre os sujeitos da enunciação. Ou ainda, perscrutando o quanto as crianças já sabem da linguagem em movimento da qual se apropriam e na qual se constituem.”
Terezinha Machado* é Mestre em Educação, Psicopedagoga, Especialista em Educação a Distância , Pedagoga e Professora de Português-Literatura.
Redatora e colunista da Revista Dinâmica(www.revistadinamica.com).
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A postura de um professor deve ser antes de tudo, reflexiva, não se pode imaginar depois de tantas pesquisas levando em consideração a prática e a teoria que um professor do século XXI deixe de refletir sobre o porquê de suas ações em sala de aula.
A abordagem do tema será sobre a questão do Professor de Língua Portuguesa seja um pesquisador, que não se limite a seguir os passos traçados pelo escritor do livro didático.
Afinal este escritor escreve para um universo que vai desde o Amapá até o Rio Grande do Sul. Não há, certamente, uma fórmula que um escritor de livro didático possa seguir que privilegie um universo de leitores tão diversos, tão específicos.
Por que então se vê tanto professor que se não tiver um livro texto, com os exercícios respondidos, de preferência se sente inseguro em dar sua aula?
A formação do Professor, com certeza, apontará a causa dessa equivocada postura metodológica. Nos cursos de graduação, muitas vezes, o próprio professor de Ensino Superior não se tornou um pesquisador que pudesse lhe garantir a construção de seu saber.
Precisa-se de uma boa base teórica para desenvolverem-se as teorias que envolvem a Língua, suas normas e suas regras. Mas não há como deixar de lado um outro aspecto talvez mais importante que é a língua em uso. Não se pode abandonar a questão da reflexão sobre o que se está ensinando, para quem e porquê.
Necessita-se formar professores comprometidos com a transformação da escola no intuito de auxiliar a superação do fracasso escolar. Este professor precisa ter como objetivo tornar seu aluno um bom usuário da Língua Portuguesa para que possa ser um cidadão pleno, com a visão de todos os seus direitos e deveres. Sabe-se que não dá para dizer que alguém é um cidadão se o mesmo não domina a leitura e a escrita, dando interpretação ao que lê. Ler sem entender é engrossar fileira do analfabetismo funcional.
Na boa formação do professor da língua materna é necessário que entrem outras conhecimentos advindos da Psicolingüística, da Lingüística, da Sociolingüística, da Pedagogia, da Sociologia e da Psicopedagogia cognitiva, entre outras áreas do conhecimento. Isto quer dizer que a formação do professor deve ser de cunho interdisciplinar.
A metodologia deve passar por uma mudança na concepção do que é a leitura e a escrita e como proceder no seu ensino na escola.
A metodologia também aponta para que se trabalhe em situações reais e significativas para os alunos.
Textos que não tenham significação não despertarão o interesse das crianças, conseqüentemente levarão as crianças a uma má interpretação.
O professor deve proceder a um trabalho que defenda a produção da criança como algo singular, único, que retrata o nível de pensamento e o nível de seu desenvolvimento.
Nada melhor para se ter a dimensão do crescimento de uma criança ou da dificuldade que possa ter sobre a organização e a lógica do pensamento do que ler um texto produzido por ela. Pode-se perceber que competências essa criança tem e como está se encaminhando para criar habilidades na escrita ou na leitura. O texto é o seu retrato.
No texto do link sugerido há um trecho que reforça o que até aqui foi mencionado: “(...)Sem dúvida, não estamos concebendo aqui reflexão como um ato isolado, individualizado de pensamento que não vai além do professor em si mesmo. Mas, tal como nos aponta Zeichner (1993, p.25) sobre a prática do professor reflexivo, “a atenção do professor está tanto virada para dentro, para sua própria prática, como para fora, para as condições sociais nas quais se situa esta prática”, portanto, em uma experiência que abre possibilidades de sentido para cada um e que, por essa mesma condição, clama por ser
compartilhada. Trata-se de um intenso ato de reflexão, que não se dá no vazio, que é deflagrado na vivência, na experiência, na ação cotidiana, no encontro com outros (alunos, professores etc.). Isso pede de cada um de nós empenho, esforço e interrogação constantes
que não se encerram na busca de respostas individuais isoladas.
Transcendem-nas; vão além da idéia de se ter uma opinião e da concepção de experiência como uma condição constitutiva inata do humano.”
Os PCNs colocam ao lado das atividades de leitura e produção de textos escritos, a escuta e a produção de textos orais como forma de atender às diversas demandas sociais, além de responder a diferentes propósitos comunicativos e expressivos e, também, de
considerar as diferentes condições de produção do discurso (Brasil, 1998). O aluno seria encaminhado, assim, a reconhecer-se em sua própria variedade lingüística, bem como conhecer e valorizar as demais.
No que diz respeito à escuta de textos orais, o referido documento prevê que, nesse processo, os alunos sejam levados à ampliação dos conhecimentos semânticos, discursivos e gramaticais que auxiliam na construção do sentido no texto. Além do reconhecimento dos elementos não-verbais que participam da elaboração dos textos orais, há, também, preocupação com o aperfeiçoamento de suas habilidades para compreender os elementos
subjacentes ao texto e da capacidade de utilização da língua escrita como apoio para registrar, documentar e analisar textos orais. Tais atividades, a nosso ver, podem criar oportunidades de diálogo entre professores e alunos, alunos entre si e destes com o mundo que os cerca. Do diálogo, surge a reflexão que implica valorização do conhecimento prévio e da experiência dos envolvidos. Além disso, na produção de textos orais, espera-se que os
alunos consigam, entre outras habilidades, planejar a fala pública tendo como parâmetro a linguagem escrita, de acordo com as exigências da situação. Da mesma forma, espera-se que sejam capazes de monitorar sua fala, com vistas à sua intenção comunicativa e à
reação do interlocutor; de perceber os efeitos de sentidos que os elementos prosódicos e gestuais podem produzir e, ainda, de ajustar o texto à variedade lingüística adequada à situação comunicativa.
Em relação à formação de usuários da língua materna com vistas à cidadania, faz-se necessário que o professor valorize a individualidade da criança e abandone a prática de se trabalhar com modelos.
O modelo já traz em si uma mensagem subliminar: você vai seguir este modelo porque não acredito que possa fazer sozinho, ou melhor.
A Professora Edwiges Zaccur, no seu artigo “Aprendiz de modelo ou modelo de aprendiz” diz: “Geralmente, os Cursos de Formação de Professores enfatizam o planejamento e a avaliação. Pouco ou nenhum espaço é concedido ao repensar o fazer pedagógico ou análise das produções dos alunos, buscando, no avesso dos enunciados, informações sobre os sujeitos da enunciação. Ou ainda, perscrutando o quanto as crianças já sabem da linguagem em movimento da qual se apropriam e na qual se constituem.”
Terezinha Machado* é Mestre em Educação, Psicopedagoga, Especialista em Educação a Distância , Pedagoga e Professora de Português-Literatura.
Redatora e colunista da Revista Dinâmica(www.revistadinamica.com).
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