Home
Artigos
15 de abril de 2009
Avaliação em EaD.
Autor(a): Terezinha Machado*
Um ponto chave no desenvolvimento de um projeto de curso na modalidade de Educação a Distância é justamente a avalição.
Que critérios propor, qual a metodologia a empregar, que instrumentos selecionar?
Sabemos que a avaliação, mesmo nos cursos presenciais são um nó da educação. Muitos professores, pedagogicamente analisados, conseguem desvalorizar seu trabalho na hora de avaliar. Muitas vezes, fica uma nítida contradição entre a metodologia de sua aula, participativa e democrática, quando o profissional, por escolha própria ou por força institucional, vê-se compelido a aplicar uma prova tradicional e esta passa a ser o único instrumento a medir, a aferir o conhecimento que seus alunos conseguiram adquirir até o momento da prova. Muitas escolas já modernizaram seus PPP e colocaram a avaliação como uma forma de acompanhar o aluno, diagnosticar seus entraves e a partir daí replanejar para possibilitar a todos um caminho mais tranqüilo. Seria a avaliação um ponto entre o quantitativo e o qualitativo.
Atualmente, professores discutem outras formas de avaliação que possam contemplar a diversidade cultural de seus alunos (perspectiva multicultural) além de fugir de processos avaliativos classificatórios.
O que deve englobar uma avalaição em EaD?
Não devemos apenas aferir o aspecto cognitivo da aprendizagem, mas também o comportamental. Prova e projeto final apenas mostram apenas o score do aspecto cognitivo. O acompanhamento, mesmo a distância, do aluno de EaD deve focar também conhecimento das teorias pedagógicas e as questões tecnológicas envolvidas.
Geralmente, as plataformas onde os cursos são desenvolvidos têm ferramentas que possibilitam os professores fazerem o acompanhamento individual de cada cursista. Ele pode avaliar o número de acessos do aluno à plataforma, se houve consultas à biblioteca virtual, o tempo que permaneceu em interação com o ambiente do curso. Isso além de receber os trabalhos propostos e a avaliação do envolvimento do aluno com as propostas de leitura. A princípio, essas mesmas ferramentas que nos dão quantitativamente uma avaliação da participação do aluno, pode também expressar o aproveitamento do aluno em relação aos objetivos propostos no curso.
A avaliação é um processo contínuo, em EaD há aspectos que são relevantes como a participação do aluno nas atividades propostas, cooperação e o interesse demonstrado nos fóruns, chats e troca de e-mails.
Desafios da avalaição a Distância:
A professora Hermelina Pastor Romiszowski, no site da ABED, dá a seguinte contribuição:
“(...)O sentido útil da avaliação educacional envolve clara definição de objetivos, critérios básicos e específicos, procedimentos adequados, de forma que o resultado sirva para a melhoria do objeto da avaliação e a tomada de decisões. A avaliação deve procurar responder a questões centrais para saber se algo é bom, que critérios utilizar para os resultados pretendidos, como ajudar as pessoas a determinar se são boas no que estão fazendo. Só a boa intenção não basta pois é preciso saber se o que se precisa está realmente acontecendo. E para que isso dê resultado prático, a avaliação precisa ser bem definida no contexto e desenvolvida apropriadamente. Inclusive, a própria avaliação deve ser avaliada, como sugere o conceito de meta-avaliação - a avaliação da avaliação. Indiretamente, a meta-avaliação é também a avaliação dos avaliadores e representa uma obrigação ética e científica (Stufflebeam, 1989).
Os desafios para a EAD de hoje são grande; os planejadores têm preocupação, além de outras, com a eficácia da aprendizagem e do ensino, que no contexto atual envolve também interagir com outras realidades, o que pode gerar conflitos. Patton (1997; 2004) advoga que uma maneira de diminuir os conflitos é a determinação de critérios para a avaliação. Os Estados Unidos, por exemplo, adotaram os seguintes: utilidade, praticidade, ética e precisão.
1. Utilidade. Relacionada à pesquisa, ao desenho e desenvolvimento; avaliação que age para a melhoria.
2. Viabilidade. O critério tem que ser igual ao custo, possível de realizar; tem que ter valor para a melhoria.
3. Ética. Refere-se à condução de forma ética, do tratamento respeitoso para com as pessoas, da confiabilidade para enriquecimento de avaliador e avaliados.
4. Precisão. Alta qualidade; cada associação / grupo examina os critérios. Como as pessoas no contexto entendem avaliação; acreditam nela.
Países como o Canadá e África do Sul, adaptaram estes critérios às suas realidades; outros países poderão adotar esta ou outra linha de conveniência, no caso do Brasil, temos que construir a avaliação na perspectiva brasileira, mas isso não significa não estudar experiências de outros países, principalmente os que têm tradição na área. É complicada e cara para o país a mentalidade de que temos que “descobrir a roda”, a cada vez que vamos desenvolver e avaliar um projeto educacional. Conhecer o que já está consolidado, cientificamente, criticar construtivamente e aproveitar o que for útil, são atitudes científicas importantes e não se opõem à criatividade para os caminhos nacionais.(...)”
Finalizando:
A EaD é uma revolução nos meios educacionais. Apaixonante, cada vez mais as pessoas se interessam por essa modalidade de ensino-aprendizagem. Depois que os caminhos foram abertos pela Universidade da Inglaterra, colocando graduação e pós-graduação nesse tipo de ensino abriu-se espaço para uma maior possibilidade de democratização do ensino.
A avaliação em EaD é um ponto importante no processo de ensino-aprendizagem, deve levar em conta alguns pontos como desenvolvimento de autonomia por parte do aluno, capacidade de ampliar seus conhecimentos através da pesquisa, desenvolvimento de competências e habilidades para que se atinja ao objetivo maior da formação de cidadãos críticos, produtivos, éticos e responsáveis.
Sabemos que a distância entre aluno e professor dificulta o surgimento de um vínculo afetivo com a aprendizagem
Por isso, aconselhamos que a primeira aula, a de apresentação seja passada através de um vídeo onde o aluno possa conhecer o ambiente onde se desenvolverá o curso, conhecer os tutores do curso, ser apresentado às ferramentas que serão utilizadas , além de mostrar ondr encontrar o conteúdo do curso, como postar trabalhos e onde receber informações sobre a sua trajetória durante o curso. Importante ressaltar que nesta primeira aula, deve ser comentado com clareza os objetivos do curso e a forma como os alunos serão avaliados, para que não haja surpresa nesse aspecto.
Terezinha Machado* é Mestre em Educação, Psicopedagoga, Especialista em Educação a Distância , Pedagoga e Professora de Português-Literatura.
Redatora e colunista da Revista Dinâmica(www.revistadinamica.com).
Voltar para lista de artigos
Que critérios propor, qual a metodologia a empregar, que instrumentos selecionar?
Sabemos que a avaliação, mesmo nos cursos presenciais são um nó da educação. Muitos professores, pedagogicamente analisados, conseguem desvalorizar seu trabalho na hora de avaliar. Muitas vezes, fica uma nítida contradição entre a metodologia de sua aula, participativa e democrática, quando o profissional, por escolha própria ou por força institucional, vê-se compelido a aplicar uma prova tradicional e esta passa a ser o único instrumento a medir, a aferir o conhecimento que seus alunos conseguiram adquirir até o momento da prova. Muitas escolas já modernizaram seus PPP e colocaram a avaliação como uma forma de acompanhar o aluno, diagnosticar seus entraves e a partir daí replanejar para possibilitar a todos um caminho mais tranqüilo. Seria a avaliação um ponto entre o quantitativo e o qualitativo.
Atualmente, professores discutem outras formas de avaliação que possam contemplar a diversidade cultural de seus alunos (perspectiva multicultural) além de fugir de processos avaliativos classificatórios.
O que deve englobar uma avalaição em EaD?
Não devemos apenas aferir o aspecto cognitivo da aprendizagem, mas também o comportamental. Prova e projeto final apenas mostram apenas o score do aspecto cognitivo. O acompanhamento, mesmo a distância, do aluno de EaD deve focar também conhecimento das teorias pedagógicas e as questões tecnológicas envolvidas.
Geralmente, as plataformas onde os cursos são desenvolvidos têm ferramentas que possibilitam os professores fazerem o acompanhamento individual de cada cursista. Ele pode avaliar o número de acessos do aluno à plataforma, se houve consultas à biblioteca virtual, o tempo que permaneceu em interação com o ambiente do curso. Isso além de receber os trabalhos propostos e a avaliação do envolvimento do aluno com as propostas de leitura. A princípio, essas mesmas ferramentas que nos dão quantitativamente uma avaliação da participação do aluno, pode também expressar o aproveitamento do aluno em relação aos objetivos propostos no curso.
A avaliação é um processo contínuo, em EaD há aspectos que são relevantes como a participação do aluno nas atividades propostas, cooperação e o interesse demonstrado nos fóruns, chats e troca de e-mails.
Desafios da avalaição a Distância:
A professora Hermelina Pastor Romiszowski, no site da ABED, dá a seguinte contribuição:
“(...)O sentido útil da avaliação educacional envolve clara definição de objetivos, critérios básicos e específicos, procedimentos adequados, de forma que o resultado sirva para a melhoria do objeto da avaliação e a tomada de decisões. A avaliação deve procurar responder a questões centrais para saber se algo é bom, que critérios utilizar para os resultados pretendidos, como ajudar as pessoas a determinar se são boas no que estão fazendo. Só a boa intenção não basta pois é preciso saber se o que se precisa está realmente acontecendo. E para que isso dê resultado prático, a avaliação precisa ser bem definida no contexto e desenvolvida apropriadamente. Inclusive, a própria avaliação deve ser avaliada, como sugere o conceito de meta-avaliação - a avaliação da avaliação. Indiretamente, a meta-avaliação é também a avaliação dos avaliadores e representa uma obrigação ética e científica (Stufflebeam, 1989).
Os desafios para a EAD de hoje são grande; os planejadores têm preocupação, além de outras, com a eficácia da aprendizagem e do ensino, que no contexto atual envolve também interagir com outras realidades, o que pode gerar conflitos. Patton (1997; 2004) advoga que uma maneira de diminuir os conflitos é a determinação de critérios para a avaliação. Os Estados Unidos, por exemplo, adotaram os seguintes: utilidade, praticidade, ética e precisão.
1. Utilidade. Relacionada à pesquisa, ao desenho e desenvolvimento; avaliação que age para a melhoria.
2. Viabilidade. O critério tem que ser igual ao custo, possível de realizar; tem que ter valor para a melhoria.
3. Ética. Refere-se à condução de forma ética, do tratamento respeitoso para com as pessoas, da confiabilidade para enriquecimento de avaliador e avaliados.
4. Precisão. Alta qualidade; cada associação / grupo examina os critérios. Como as pessoas no contexto entendem avaliação; acreditam nela.
Países como o Canadá e África do Sul, adaptaram estes critérios às suas realidades; outros países poderão adotar esta ou outra linha de conveniência, no caso do Brasil, temos que construir a avaliação na perspectiva brasileira, mas isso não significa não estudar experiências de outros países, principalmente os que têm tradição na área. É complicada e cara para o país a mentalidade de que temos que “descobrir a roda”, a cada vez que vamos desenvolver e avaliar um projeto educacional. Conhecer o que já está consolidado, cientificamente, criticar construtivamente e aproveitar o que for útil, são atitudes científicas importantes e não se opõem à criatividade para os caminhos nacionais.(...)”
Finalizando:
A EaD é uma revolução nos meios educacionais. Apaixonante, cada vez mais as pessoas se interessam por essa modalidade de ensino-aprendizagem. Depois que os caminhos foram abertos pela Universidade da Inglaterra, colocando graduação e pós-graduação nesse tipo de ensino abriu-se espaço para uma maior possibilidade de democratização do ensino.
A avaliação em EaD é um ponto importante no processo de ensino-aprendizagem, deve levar em conta alguns pontos como desenvolvimento de autonomia por parte do aluno, capacidade de ampliar seus conhecimentos através da pesquisa, desenvolvimento de competências e habilidades para que se atinja ao objetivo maior da formação de cidadãos críticos, produtivos, éticos e responsáveis.
Sabemos que a distância entre aluno e professor dificulta o surgimento de um vínculo afetivo com a aprendizagem
Por isso, aconselhamos que a primeira aula, a de apresentação seja passada através de um vídeo onde o aluno possa conhecer o ambiente onde se desenvolverá o curso, conhecer os tutores do curso, ser apresentado às ferramentas que serão utilizadas , além de mostrar ondr encontrar o conteúdo do curso, como postar trabalhos e onde receber informações sobre a sua trajetória durante o curso. Importante ressaltar que nesta primeira aula, deve ser comentado com clareza os objetivos do curso e a forma como os alunos serão avaliados, para que não haja surpresa nesse aspecto.
Terezinha Machado* é Mestre em Educação, Psicopedagoga, Especialista em Educação a Distância , Pedagoga e Professora de Português-Literatura.
Redatora e colunista da Revista Dinâmica(www.revistadinamica.com).
Voltar para lista de artigos