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14 de abril de 2009
Biblioteca de Classe
Autor(a): Terezinha Machado*
A Biblioteca de Classe tem uma grande importância na formação de leitores da Educação Infantil até ao 5º ano do Ensino Fundamental.
Nessa faixa etária as crianças ainda não desenvolveram hábitos de frequentar a Biblioteca da Escola, quando essa a possui.
Na sala de aula, a professora tem a chance de adequar interesse dos alunos, fontes de pesquisa para os conteúdos trabalhados na série, novidades gráficas, diferentes gêneros de discursos, organizar livros, revistas e jornais.
Dependendo dos recursos da escola, da professora e dos próprios alunos, muito se pode fazer pela Biblioteca de Classe. Pode-se formá-la com a participação efetiva dos alunos, suas famílias, amigos, editoras, através de pedidos oficiais da própria escola. Doações de vizinhos, enfim, a própria formação da Biblioteca de Classe, envolvendo a todos, fará com que ela seja cuidada e preservada como algo que pertence a todos igualmente.
Essa noção será muito positiva, devendo a Professora nortear a busca por novos livros, revistas e jornais. A classificação do material chegado à sala de aula já será outra atividade interessante e produtiva. As crianças ajudarão a classificar: livros de ficção, de poesias, de contos, de fábulas, contos de fadas, romances, culinária e outros. As revistas poderão ser classificadas em ficção, quadrinhos, pedagógicas, entretenimento, cruzadinhas, etc.
Todo o trabalho envolvendo a Biblioteca reforçará a importância que a leitura ocupa um lugar importante em nossas vidas de leitores.
Muitas atividades de pesquisa, que devem ser realizadas em sala de aula, serão muito mais prazerosas porque as crianças terão o material dentro da sala de aula, à sua disposição.
Isso faz a diferença, não se usa mais passar pesquisa para ser feita em casa, as crianças acabam recorrendo a seus pais que veem na atividade algo para receber nota, não tendo conhecimento pedagógico, só entendem a necessidade do filho fazer a tarefa e acabam por fazer no lugar dos mesmos. Reclamam da escola, (porque o trabalho acaba sendo deles), reclamam quando o trabalho é em grupo, porque ou têm que receber outras crianças em casa ou deixar seu filho ir para casa de quem não conhece.
Assim, já há alguns anos, a pesquisa deve ser realizada com a orientação do professor em sala de aula. A coleta de material é que pode ser passada para se feita em casa. Mas se já houver a Biblioteca em classe, de acordo com os assuntos que serão trabalhados, a tarefa será facilitada para todos. Ao professor fica a tranquilidade de saber que os trabalhos serão desenvolvidos pelos alunos mesmos.
A BC traz a vantagem de cada aluno poder fazer leituras em livros de seu interesse, não necessitando o professor de usar a prática de indicar um livro comum a todos, o que reduz em muito a curiosidade da troca entre o grupo da turma.
Hoje em dia há muitas outras maneiras de se trabalhar a leitura em classe de aula.
Uma boa atividade é a de se fazer o troca-troca de livros ou também chamada de ciranda dos livros. Como funciona?
Cada criança leva um livro por semana para casa e há um dia escolhido, por exemplo, toda sexta-feira, para que algumas crianças falem sobre os livros que leram. Isso dinamiza a atividade de leitura, incentiva os alunos a lerem mais e há a possibilidade de um aluno lendo um livro por semana chegar a uma marca de mais de trinta livros lidos no ano. Isso, com certeza, ajudaria muito na questão de idéias para produção de textos, organização frasal, ampliação de vocabulário. Enfim, tudo para ser uma ótima atividade e apreciada pelos alunos.
No texto do site indicado : “ (...)Se considerarmos os atuais Parâmetros Curriculares para o Ensino de Português, não há como não reconhecer no que o documento apresenta como objetivos e condições para o ensino da leitura, muitas das possibilidades que a proposta de BC traz para os alunos e para o trabalho do professor e que estão apresentadas em O Texto na Sala de Aula, 15 anos antes: a capacidade de selecionar textos segundo interesses e necessidades pessoais; a familiarização com diferentes estilos e gêneros; a receptividade para com autores e obras desconhecidas; a capacidade de trocar impressões com outros leitores sobre livros lidos; a existência de acervos variados em classe; a organização de momentos de leitura de livre escolha na aula, de momentos de leitura em voz alta de trechos de textos em circulação no grupo, etc. (...)”
Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa oferecem uma série de atividades que podem ser utilizadas na Biblioteca de Classe.
A leitura como transmissão de conhecimentos.
A importância que se deve dar à organização da Biblioteca de Classe passa pela reflexão sobre a cultura e a literatura fazerem parte do nosso mundo. O que nos cabe aqui pensar é: o que é cultura e que mundo é esse que nos cerca? Será que todos partimos das mesmas ideias e conceitos sobre o que é cultura? Será que o mundo, da forma que o enxergamos é o mesmo para todos?
Por certo que há diversas definições para cultura, da mesma forma que nosso olhar sobre o mundo é diferente entre nós mesmos, professores, ainda mais diferentes de nossas crianças que têm ainda pouca vivências, pela tenra idade, além de pertencerem a grupos sociais diversos que encaminham o olhar sobre o mundo de acordo com algumas lentes locais.
Em cada povo, cada nação, em particular, no caso do Brasil com suas imensas diferenças regionais, os homens criavam seres fantásticos, lendas e mitos para explicar tudo aquilo que suas compreensões não alcançavam.
Acontecimentos históricos reais, viagens fantásticas pelas galáxias ou mesmo seus sonhos sempre foram objetos de escritos que, mais tarde, passaram a fazer parte da literatura e cultura de cada povo.
A Biblioteca de Classe não pode deixar de contemplar o maravilhoso, o fantástico de nossa produção literária Infanto-Juvenil.
Nossa Infância foi passada entre personagens encantados como A Bela Adormecida, Cinderela, Rapunzel. Na escola, na época dos festejos sobre o nosso folclore, contávamos as histórias de personagens fantásticos, genuinamente brasileiros como A Mula Sem Cabeça, O Saci-Pererê, as Sereias e seus encantos atraindo para o mar seus admiradores.
Na literatura Juvenil as leituras nos apresentavam a personagens famosos como Inês de Castro,Helena de Tróia, Capitu, entre outras.
Segundo Ângela Franco, em seu livro “Metodologia de Ensino- Língua portuguesa”, “A literatura concentra todas as descobertas do homem e, através dela, os olhos e os ouvidos se abrem, e o homem estabelece relações com o mundo real possível e com o mundo simbólico (possível e impossível)”.
Somente quando o Educador perceber com clareza a função da Literatura na formação do indivíduo, conseguirá formar leitores verdadeiros para o resto da vida. Tem de haver esse início, dentro do espaço da escola, de valorização da leitura diversificada, diferente, livre para que crianças e adolescentes possam experimentar diversos gêneros, até chegar a escolher o seu preferido.
A leitura de qualquer assunto estará auxiliando na aquisição de vocabulário, ampliação de estruturas frasais, além de colocar a criança de frente a problemas ortográficos, semânticos e gramaticais.
A Biblioteca Escolar tem de oferecer encantamento suficiente para seduzir crianças e adolescentes para a descoberta do prazer de ler.
A leitura não deveria ser uma obrigação, deveria ser oferecida, deixar os livros de tal forma dispostos que suas capas pudessem despertar a curiosidade sobre seus conteúdos.
A força do hábito da leitura tornará nossos pequenos leitores críticos, os professores podem auxiliar na construção desse senso crítico, colocando quadros de citação para os livros, por exemplo: Quente, Morno e Frio ou três estrelinhas, duas estrelinhas ou uma estrelinha, há muitas outras formas de se colocar uma crítica rápida. Podem ser usadas as carinhas sorrindo, sérias ou tristes. Tudo isso serve para ir aumentando a capacidade das crianças em gostarem de ler e publicar suas opiniões.
Outra idéia é ‘xerocar” e reduzir algumas capas dos livros mais lidos e deixar um espaço para que as crianças façam sinopses dos mesmos. Enfim, há muitas idéias a serem desenvolvidas em prol de uma revitalização da Biblioteca de Classe.
Terezinha Machado* é Mestre em Educação, Psicopedagoga, Especialista em Educação a Distância , Pedagoga e Professora de Português-Literatura.
Redatora da Revista Dinâmica(www.revistadinamica.com).
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Nessa faixa etária as crianças ainda não desenvolveram hábitos de frequentar a Biblioteca da Escola, quando essa a possui.
Na sala de aula, a professora tem a chance de adequar interesse dos alunos, fontes de pesquisa para os conteúdos trabalhados na série, novidades gráficas, diferentes gêneros de discursos, organizar livros, revistas e jornais.
Dependendo dos recursos da escola, da professora e dos próprios alunos, muito se pode fazer pela Biblioteca de Classe. Pode-se formá-la com a participação efetiva dos alunos, suas famílias, amigos, editoras, através de pedidos oficiais da própria escola. Doações de vizinhos, enfim, a própria formação da Biblioteca de Classe, envolvendo a todos, fará com que ela seja cuidada e preservada como algo que pertence a todos igualmente.
Essa noção será muito positiva, devendo a Professora nortear a busca por novos livros, revistas e jornais. A classificação do material chegado à sala de aula já será outra atividade interessante e produtiva. As crianças ajudarão a classificar: livros de ficção, de poesias, de contos, de fábulas, contos de fadas, romances, culinária e outros. As revistas poderão ser classificadas em ficção, quadrinhos, pedagógicas, entretenimento, cruzadinhas, etc.
Todo o trabalho envolvendo a Biblioteca reforçará a importância que a leitura ocupa um lugar importante em nossas vidas de leitores.
Muitas atividades de pesquisa, que devem ser realizadas em sala de aula, serão muito mais prazerosas porque as crianças terão o material dentro da sala de aula, à sua disposição.
Isso faz a diferença, não se usa mais passar pesquisa para ser feita em casa, as crianças acabam recorrendo a seus pais que veem na atividade algo para receber nota, não tendo conhecimento pedagógico, só entendem a necessidade do filho fazer a tarefa e acabam por fazer no lugar dos mesmos. Reclamam da escola, (porque o trabalho acaba sendo deles), reclamam quando o trabalho é em grupo, porque ou têm que receber outras crianças em casa ou deixar seu filho ir para casa de quem não conhece.
Assim, já há alguns anos, a pesquisa deve ser realizada com a orientação do professor em sala de aula. A coleta de material é que pode ser passada para se feita em casa. Mas se já houver a Biblioteca em classe, de acordo com os assuntos que serão trabalhados, a tarefa será facilitada para todos. Ao professor fica a tranquilidade de saber que os trabalhos serão desenvolvidos pelos alunos mesmos.
A BC traz a vantagem de cada aluno poder fazer leituras em livros de seu interesse, não necessitando o professor de usar a prática de indicar um livro comum a todos, o que reduz em muito a curiosidade da troca entre o grupo da turma.
Hoje em dia há muitas outras maneiras de se trabalhar a leitura em classe de aula.
Uma boa atividade é a de se fazer o troca-troca de livros ou também chamada de ciranda dos livros. Como funciona?
Cada criança leva um livro por semana para casa e há um dia escolhido, por exemplo, toda sexta-feira, para que algumas crianças falem sobre os livros que leram. Isso dinamiza a atividade de leitura, incentiva os alunos a lerem mais e há a possibilidade de um aluno lendo um livro por semana chegar a uma marca de mais de trinta livros lidos no ano. Isso, com certeza, ajudaria muito na questão de idéias para produção de textos, organização frasal, ampliação de vocabulário. Enfim, tudo para ser uma ótima atividade e apreciada pelos alunos.
No texto do site indicado : “ (...)Se considerarmos os atuais Parâmetros Curriculares para o Ensino de Português, não há como não reconhecer no que o documento apresenta como objetivos e condições para o ensino da leitura, muitas das possibilidades que a proposta de BC traz para os alunos e para o trabalho do professor e que estão apresentadas em O Texto na Sala de Aula, 15 anos antes: a capacidade de selecionar textos segundo interesses e necessidades pessoais; a familiarização com diferentes estilos e gêneros; a receptividade para com autores e obras desconhecidas; a capacidade de trocar impressões com outros leitores sobre livros lidos; a existência de acervos variados em classe; a organização de momentos de leitura de livre escolha na aula, de momentos de leitura em voz alta de trechos de textos em circulação no grupo, etc. (...)”
Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa oferecem uma série de atividades que podem ser utilizadas na Biblioteca de Classe.
A leitura como transmissão de conhecimentos.
A importância que se deve dar à organização da Biblioteca de Classe passa pela reflexão sobre a cultura e a literatura fazerem parte do nosso mundo. O que nos cabe aqui pensar é: o que é cultura e que mundo é esse que nos cerca? Será que todos partimos das mesmas ideias e conceitos sobre o que é cultura? Será que o mundo, da forma que o enxergamos é o mesmo para todos?
Por certo que há diversas definições para cultura, da mesma forma que nosso olhar sobre o mundo é diferente entre nós mesmos, professores, ainda mais diferentes de nossas crianças que têm ainda pouca vivências, pela tenra idade, além de pertencerem a grupos sociais diversos que encaminham o olhar sobre o mundo de acordo com algumas lentes locais.
Em cada povo, cada nação, em particular, no caso do Brasil com suas imensas diferenças regionais, os homens criavam seres fantásticos, lendas e mitos para explicar tudo aquilo que suas compreensões não alcançavam.
Acontecimentos históricos reais, viagens fantásticas pelas galáxias ou mesmo seus sonhos sempre foram objetos de escritos que, mais tarde, passaram a fazer parte da literatura e cultura de cada povo.
A Biblioteca de Classe não pode deixar de contemplar o maravilhoso, o fantástico de nossa produção literária Infanto-Juvenil.
Nossa Infância foi passada entre personagens encantados como A Bela Adormecida, Cinderela, Rapunzel. Na escola, na época dos festejos sobre o nosso folclore, contávamos as histórias de personagens fantásticos, genuinamente brasileiros como A Mula Sem Cabeça, O Saci-Pererê, as Sereias e seus encantos atraindo para o mar seus admiradores.
Na literatura Juvenil as leituras nos apresentavam a personagens famosos como Inês de Castro,Helena de Tróia, Capitu, entre outras.
Segundo Ângela Franco, em seu livro “Metodologia de Ensino- Língua portuguesa”, “A literatura concentra todas as descobertas do homem e, através dela, os olhos e os ouvidos se abrem, e o homem estabelece relações com o mundo real possível e com o mundo simbólico (possível e impossível)”.
Somente quando o Educador perceber com clareza a função da Literatura na formação do indivíduo, conseguirá formar leitores verdadeiros para o resto da vida. Tem de haver esse início, dentro do espaço da escola, de valorização da leitura diversificada, diferente, livre para que crianças e adolescentes possam experimentar diversos gêneros, até chegar a escolher o seu preferido.
A leitura de qualquer assunto estará auxiliando na aquisição de vocabulário, ampliação de estruturas frasais, além de colocar a criança de frente a problemas ortográficos, semânticos e gramaticais.
A Biblioteca Escolar tem de oferecer encantamento suficiente para seduzir crianças e adolescentes para a descoberta do prazer de ler.
A leitura não deveria ser uma obrigação, deveria ser oferecida, deixar os livros de tal forma dispostos que suas capas pudessem despertar a curiosidade sobre seus conteúdos.
A força do hábito da leitura tornará nossos pequenos leitores críticos, os professores podem auxiliar na construção desse senso crítico, colocando quadros de citação para os livros, por exemplo: Quente, Morno e Frio ou três estrelinhas, duas estrelinhas ou uma estrelinha, há muitas outras formas de se colocar uma crítica rápida. Podem ser usadas as carinhas sorrindo, sérias ou tristes. Tudo isso serve para ir aumentando a capacidade das crianças em gostarem de ler e publicar suas opiniões.
Outra idéia é ‘xerocar” e reduzir algumas capas dos livros mais lidos e deixar um espaço para que as crianças façam sinopses dos mesmos. Enfim, há muitas idéias a serem desenvolvidas em prol de uma revitalização da Biblioteca de Classe.
Terezinha Machado* é Mestre em Educação, Psicopedagoga, Especialista em Educação a Distância , Pedagoga e Professora de Português-Literatura.
Redatora da Revista Dinâmica(www.revistadinamica.com).
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