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02 de abril de 2009
EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA: CARACTERÍSTICAS E PROCEDIMENTOS PEDAGÓGICOS
Autor(a): www.eps.ufsc.br/disserta98/ribeiro/cap3.html

CAPÍTULO 3
EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA: CARACTERÍSTICAS E PROCEDIMENTOS PEDAGÓGICOS
3.1. INTRODUÇÃO

A realidade do mundo hoje é apresentada e conhecida principalmente por meio das mídias.

A era das tecnologias da informação e comunicação tem marcado, no universo da cultura, da economia e da sociedade, uma nova forma de ver e interagir no mundo.

Novos valores, princípios, comportamentos, processos, produtos e instrumentos científicos e tecnológicos vêm sendo incorporados crescente e massificadamente no cotidiano das pessoas.

Em casa, no trabalho, no lazer, nos deslocamentos, nas comunicações, nos serviços e, entre outros, na educação, o ser humano se vê obrigado a aprender, no seu dia - a - dia a utilizar e obter os resultados que a tecnologia promete, conforme suas necessidades pessoais e coletivas.

No âmbito educacional, um desafio é imposto aos educadores e profissionais envolvidos: fazer evoluir os conceitos e práticas que melhor permitirão ajustar as tecnologias ao processo ensino - aprendizagem, de modo que as mesmas sejam incorporadas à prática educacional, como o lápis, o caderno e o livro o foram.

Qualquer que seja a forma e o meio de realizar o processo educacional, presencial ou à distância, o papel das mídias vem se tornando essencial para a eficácia e qualidade da educação.

Este capítulo destaca as principais características da Educação a Distância (EAD) e define estratégias para o planejamento e desenvolvimento da ação didática conforme sintetiza a Figura 3.1.
Figura 3.1 – EAD - Características e procedimentos pedagógicos
3.2. A EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Dentre as várias definições de EAD existentes na literatura sobre o assunto, destaca-se Bordenave (1986) que a define como uma proposta organizada do processo ensino - aprendizagem, na qual estudantes de diversas idades e antecedentes, estudam em grupos ou individualmente, em casa, locais de trabalho ou qualquer outro ambiente, usando materiais auto – instrutivos, produzidos em um centro docente, distribuídos através de diversos meios de comunicação.

A incorporação crescente das novas tecnologias da informação e comunicação ao processo ensino - aprendizagem, vem tornando essa modalidade educacional mais extensiva em público e audiência, rompendo barreiras culturais, de língua, de espaço geográfico, de tempo, tanto quanto vem dinamizando os modos de ensinar e aprender, e de realizar as interações necessárias entre "aprendiz/interface, aprendiz/conteúdo, aprendiz/professor, aprendiz/aprendiz" (Hoffman e Mackin,1996).

Os atuais estágios de desenvolvimento tecnológico, aliados aos recursos da informática e das telecomunicações, tornaram a EAD cada vez menos distante com mais alto nível de interatividade.

Os modos emergentes de interação são fundamentais para a geração de cursos à distância de boa qualidade, exigindo dos implementadores e educadores, mais do que a inovação tecnológica possibilita, práticas didático-pedagógicas adequadas a esse novo ambiente de aprendizagem.

Hoje, a comunicação mediada eletronicamente apresenta-se como uma poderosa ferramenta capaz de diminuir a barreira (mas não eliminar) da separação física e temporal entre professor e aluno, além de proporcionar um aumento substancial do nível de interatividade.

A EAD é atualmente uma área de grande interesse para pesquisas e aplicações em Instituições Educacionais e setores de Desenvolvimento de Recursos Humanos de Empresas públicas e privadas que objetivam apropriar-se do potencial destas novas tecnologias para prover formação, educação continuada, treinamento e atualização acadêmica e profissional mais rápida e eficaz.

Com a redução nos custos dos equipamentos e a necessidade crescente de formação, o aperfeiçoamento profissional e a necessidade de expansão do ensino, a EAD surge como uma modalidade de ensino e tecnologia educacional acessível e conveniente a várias pessoas que se encontram dispersas geograficamente, evitando deslocamentos, possibilitando ao estudante aprender em seu ritmo, no tempo e local que lhe é mais conveniente, além de favorecer o desenvolvimento de habilidades e competências cognitivas como autonomia, criatividade, auto-disciplina, responsabilidade com a própria formação, construção do conhecimento, aprendizagem cooperativa entre outras habilidades.

Pedagogicamente, a evolução do EAD esteve condicionada aos paradigmas e tendências pedagógicas que impulsionaram as experiências educacionais, na medida em que também evoluíram as concepções e teorias de aprendizagem e os modelos de ensino auxiliado por computador com os meios que determinam seu uso.

Do ensino por correspondência, utilizando material impresso, ao ensino mediado eletronicamente, utilizando redes de computadores e recursos multimídia em tempo real, houve um avanço considerável nessa modalidade de ensino.

Afirma Mata (1995), que hoje é amplo o leque de possibilidades que se oferece ao EAD: o vídeo interativo, baseado em computador com uso de interfaces gráficas, o vídeo disco a laser, o hipertexto, hipermídias, o CD- Rom, junto com material impresso, rádio, televisão, telefone, correio postal, correio eletrônico e fax fazem parte dos possíveis materiais e meios a serem utilizados. Além disto, os satélites de comunicação e as redes de computadores oferecem inúmeras possibilidades para criar, armazenar, distribuir, apresentar informações, motivar interagir e estabelecer relações no âmbito da mediação pedagógica.

Os diferentes recursos da tecnologia conjugada (Internet, software aplicativos, multimídia interativa, hipermídia, vídeoconfêrencia, áudio conferência, teleconferência, RV não-imersiva, e imersiva, (quando esta for possível) e outros, têm provocado modificações substanciais nos paradigmas de educação vigentes, uma vez que oferecem ao estudante e professor inúmeras possibilidades de acesso à informação, de comunicação com o meio ou através dele e novas formas de aprender e ensinar, que são requeridas nesse novo ambiente. A interação em EAD já não ocorre face- a- face, há um meio que media a comunicação.

As novas tecnologias aplicadas ao ensino à distância, impõem assim, um novo modelo de comunicação pedagógica, calcada, segundo Yalli (1995) em todos os elementos do sistema geral de comunicação: o professor (emissor), o aluno (receptor), o método (canal de transmissão) e os conteúdos (mensagem).

Outro enfoque dessa relação é dado por Hoffman e Mackin (1996), cuja preocupação é com os novos paradigmas da interação de uma "sala de aula virtual". Eles afirmam que as interações aluno/interface, aluno/conteúdo, aluno/professor e aluno/aluno precisam ser adequadamente utilizadas e conhecidas para gerar cursos à distância interativos de alta qualidade

Nestas relações de comunicação, a interação aluno/interface é a linha vital entre o professor e o aluno; se ela falha, o processo pedagógico (formação, treinamento e outros) também falha. Entre outras medidas, é necessário tornar a tecnologia o mais amigável e transparente possível.

A interação entre o aluno e o conteúdo ocorre quando o entendimento, a percepção e as estruturas cognitivas do aluno são transformadas. A visualização dos conteúdos do programa de ensino é crítica para estimular, satisfatoriamente, não só a percepção e a cognição, mas também a atenção e a motivação do aluno. O conceito de enterTRAINment é proposto pelos autores para a mistura de treinamento com entretenimento para capturar a atenção e a imaginação dos estudantes.

Na interação que ocorre entre aluno e professor, o papel do professor é de dirigir o fluxo da informação para o estudante, que é desempenhado na hora de planejar e desenvolver as aulas. O professor deve também estimular e motivar o aluno, manter seu interesse, dar apoio e encorajá-lo na sua aprendizagem.

As interações aluno/aluno, são, segundo Hoffman e Mackin (1996), freqüentemente, as mais produtivas experiências de formação. Estas interações, quando bem projetadas, oferecem a oportunidade para os estudantes expandirem e aplicarem os conhecimentos de forma compartilhada, impossível no estudo solitário.

3.3. FATORES QUE CARACTERIZAM A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Diversas fontes bibliográficas destacam algumas das características da EAD como Quiñones (1992), Willis (1992) and Willis (1993), Lezana (1995), Mata (1995), Gottschalk (1996), Moura Filho (1997), Fialho (1998) entre outros. Agrupando-se sinteticamente estas características, destacam-se as mais relevantes sobre:

3.3.1. Os cursos:

* são geralmente auto-instrucionais, mediante a elaboração de materiais para o estudo independente, contendo objetivos claros, auto-avaliações, exercícios, atividades e textos complementares;
* são pré-produzidos, utilizando-se, geralmente, textos impressos mas, combinando-os com uma ampla variedade de recursos e meios como: suplementos de periódicos e revistas, livros adicionais, rádio e televisão educativos em circuito aberto ou fechado, filmes, computadores, videodiscos, videotextos, comunicações mediante telefone, rádio, satélite ., dando um enfoque multimeio a esse tipo de integração;
* apresentam uma característica de "processo de industrialização do ensino-aprendizagem", implicando em clara divisão do trabalho na criação e produção, tanto intelectual quanto física e material;
* tendem a adotar estruturas curriculares flexíveis, via módulos e/ou créditos para permitir uma maior adaptação às possibilidades e necessidades dos estudantes.

3.3.2. A população:

* é relativamente dispersa, devido a razões de posição geográfica, de condições de emprego, incapacidade física .;
* é predominantemente adulta;
* o estudo é individualizado;
* possibilita a relação interpessoal entre pessoas de diferentes formações, cultura, raça.

3.3.3. A comunicação:

* é massificada: uma vez preparado e testado, é conveniente e economicamente vantajoso utilizá-lo para um grande número de estudantes;
* é organizada em duas direções: entre os estudantes e o centro produtor dos cursos, podendo ser feita através de tutoriais, orientações, observações sobre trabalhos, ensaios realizados pelos estudantes, auto-avaliações e avaliações.
* processa-se por vários meios de comunicação (Ex.: palavra escrita, telefone, fax, rádio, videoconferências.);
* a forma mediadora de conversação é guiada, face a separação física entre professor e aluno condicionando as formas de comunicação;

3.3.4. As mídias:


* é crescente uso de novas tecnologias da informação e comunicação (computação, microeletrônica e telecomunicações);
* são utilizados variados multimeios que vão desde os impressos (livro, manuais, apostilas.) aos simuladores on-line, em redes de computadores, avançando em direção à comunicação instantânea de dados, voz, voz e imagem, via satélite ou por cabos de fibras ótica.

3.3.5. A interatividade:

* alunos e professor não se encontram no mesmo espaço físico, mas podem se comunicar por vários meios ( telefone, fax, correio eletrônico, videoconferência);
* é muito dependente da evolução dos meios de comunicação: expansão de linhas telefônicas de alta velocidade, expansão de usuários de microcomputadores multimídia, aperfeiçoamento das tecnologias de transmissão como satélites e fibras óticas;
* o aumento da interatividade significa o aumento da compreensão do conteúdo, absorção e domínio do assunto, pelo estudante, em tempo mais rápido;
* ocorre entre os materiais e o aluno, mediante o uso de técnicas pedagógicas, dos suportes audiovisuais e hipermídia interativa e, entre o aluno e professor mediante os meios de comunicação disponíveis (correio, telefone, teleconferência, videoconferência, fax, Internet e também em encontros presenciais).

3.3.6. Os custos:


* as tendências de preço por estudantes são decrescentes (em muitos casos gratuitos), depois de elevados investimentos iniciais;
* atinge audiência mais ampla;
* possibilita o envolvimento de professores, profissionais especializados e pesquisadores, altamente qualificados, diminuindo custos com tempo, deslocamentos e hospedagem.

3.4. A INTERAÇÃO E O FEEDBACK EM EAD

O aumento da interatividade é o principal desafio e problema em EAD, pois como afirma Barcia et all (1996), a comunicação é agora intermediada por equipamentos que permitem, não só a transmissão de informações, mas a construção de conhecimentos, variando os graus de interação conforme o suporte técnico que media essa comunicação e que influencia tanto no conteúdo da comunicação quanto na sua forma.

A natureza da comunicação geralmente se classifica por suas diferentes formas e graus de interatividade: unidirecional, bidirecional e multidirecional.

Na comunicação unidirecional, o nível de interatividade é baixo, sendo preponderante na primeira geração de EAD. Este tipo de comunicação ocorre em uma única direção, do professor para o aluno. Enquadram-se nesse nível os cursos por correspondência , rádio difusão (TV educativa, emissões radiofônicas .) áudio cassetes, vídeo - aulas e outros meios que limitam a interação com os professores e os demais estudantes.

Na comunicação bidirecional, ocorre uma média interatividade. A comunicação dá-se em ambas as direções, de professor para aluno e de aluno para professor. Este tipo de comunicação, marca uma segunda geração de EAD, onde tecnologias de comunicação interativa começam a simular a experiência da sala de aula presencial. Pode ocorrer de local a local ou para múltiplos locais.

Em comunicação de local a local, baseada em tecnologia de videoconferência, professor e alunos podem ver-se e ouvir-se;

Em comunicações para múltiplos locais, o meio é enviado simultaneamente para salas remotas. Os alunos, neste sistema, podem ver e ouvir o professor, mas o professor só pode ver uma sala por vez. É o caso da Videoconferência por linha telefônica dedicada.

Na comunicação multidirecional o nível de interatividade é alto. O meio é enviado de todo local para todo local. Este nível, é emergente de uma terceira geração de EAD, sendo possível o uso síncrono e assíncrono do meio telemático (especialmente das redes de comunicação: BBS, Internet, Intranet, WWW), mediante conferência eletrônica, e-mail, correio de voz e outras formas de interação, como exemplo, em trabalho cooperativo, uma cadeia de dados é usada para conectar o professor e todos os alunos. Todos utilizam a mesma base de dados.

Peacock (1996), aponta uma quarta geração de EAD, que hoje já é realidade, onde o aluno obtém acesso direto às bases de dados, acesso para vídeo e material em forma de texto. Essa relação tem sido chamada de empowered student ou, comunidade de estudiosos, onde os estudantes controlam seu tempo, lugar e ritmos de estudo, se comunicam livremente com seus professores e colegas e possuem considerável controle sobre o escopo e a seqüência do material estudado.

Outro resultado desse advento, é o da "interação intelectual", cujo conceito é o de enterTRAINment descrito por Hoffman e Mackin (1996) como referente ao tipo de interação entre o aluno e o conteúdo, de forma que o conteúdo possua uma característica de treinamento com entretenimento para despertar a atenção e a imaginação do estudante.

3.5. ASPECTOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS EM EAD

Qualquer que seja o meio ou a tecnologia utilizada, é preciso considerar a organização das relações entre o organismo difusor (instituição educacional, empresa) e o público. Esta é uma função primordial para a eficácia do produto de auto-formação no ensino à distância. A qualidade de sua realização depende, em grande parte, da assiduidade do aluno e da qualidade do produto pedagógico oferecido.

Em caso de aplicação das técnicas de informática na gestão das relações pedagógicas, a administração do EAD deve ser realizada de modo que os estudantes se dirijam sempre a uma estrutura confiável, capaz de responder às suas necessidades. É importante lembrar que nesta modalidade de ensino, a relação pedagógica não se constrói por uma relação interpessoal, mas a partir de uma relação entre o indivíduo isolado e um sistema complexo difusor de produtos, e servindo de intermediário com os monitores e professores.

Referindo-se à modalidade de teleducação, mas que se aplica aos demais modelos, Saraiva (1995) destaca o conjunto de funções intercomplementares que compõem um sistema de EAD, que são: a administração ou gerência, planejamento, produção, utilização, acompanhamento, controle e avaliação.

Na função utilização, Saraiva (1995) destaca a importância do planejamento, recepção, orientação e controle da aprendizagem, utilização pedagógica, supervisão, treinamento de recursos humanos, equipamentos e material de apoio, apoio logístico, acompanhamento e avaliação e a administração. Na interação com as demais funções residem os principais fatores para o alcance dos objetivos de aprendizagem.

Qualquer que seja a tecnologia empregada (TV educativa, videoconferência teleconferência, áudio conferência, vídeos - aula, computador, redes de computadores e outras) e as mídias utilizadas como recursos de aprendizagem num programa de EAD (softwares educacionais, materiais impressos, rádio, televisão, Internet, CD-Rom.), requer-se uma atenção especial ao modelo pedagógico adotado, que deve estar bem explícito no planejamento do programa de EAD e nas estratégias da ação didática empregadas.

Existem muitas semelhanças e diferenças entre o ensino à distância e o ensino presencial .O modelo pedagógico que a maioria dos cursos adota é baseado nas estruturas de currículo e de ensino do sistema convencional. A diferença mais evidente fica por conta da inovação no uso dos meios e recursos tecnológicos que mediam a comunicação entre professor e aluno.

Em EAD, as relações pedagógicas não se modificam, necessariamente, com as novas tecnologias, podendo o modelo pedagógico assumir um formato conservador e autoritário típico da corrente pedagógica liberal (tradicional, centrada na transmissão do conteúdo e tecnicista, centrada nos procedimentos e técnicas de ensino ) ou, ao contrário, da pedagogia progressista (hoje com enfoque mais construtivista e sócio-interacionista). De um modo ou de outro, o procedimento educativo deve adaptar-se às novas circunstâncias, considerando-se as possibilidades e limitações das tecnologias envolvidas no ambiente de EAD.

Essa adaptação exige dos professores e estudantes uma mudança ecológica, pedagógica e cultural no processo de ensinar e aprender, pois o paradigma de educação já não se limita às paredes de uma sala de aula e aos rituais de comportamento de estudantes e professores com seus "símbolos verbais e não verbais" (Mc Laren, 1992).

Os indivíduos, sem a identidade e a cumplicidade de grupo convivendo sensorialmente num espaço e tempo determinados, estão agora dispersos e isolados.

Os encontros face-a-face, se houverem, são esporádicos, dificultando o estabelecimento de laços afetivos próprios da interação social e trocas interpessoais importantes para seu desenvolvimento. Ocorrem também somente de forma virtual ou, em alguns modelos, nem ocorrem.

Para o estudante, alguns atributos de comportamentos e habilidades relativas à atividade de aprender à distância são exigidos: aprender em seu ritmo, no tempo e local que lhe é mais conveniente, a auto disciplina para coordenar seu tempo de estudo, a aprendizagem individualizada e independente, a cooperação, a criatividade, a autonomia, os modos de interação, e a responsabilidade por sua própria formação, que ocorrerá sem as pressões e controles de sistemas de ensino fechados.

Para o professor, pode-se afirmar que uma nova forma de se comunicar se impõe, como também um cuidado especial no planejamento do curso/disciplina e preparação da aula. Trata-se, principalmente, de adequar a prática da aula presencial ao novo ambiente e ainda explorar todo o potencial que a tecnologia utilizada favorece, observando também suas limitações. Estes são alguns dos desafios imediatos a assumir neste novo papel .

Um aspecto fundamental da relação dialógica, mediatizada por recursos áudio - visuais (em substituição a relação face-a-face da aula presencial), que permite o feedback dos sinais visuais diretos dos alunos (Willis,1992). Não sendo possível ocorrer em EAD, exige-se do professor um esforço extra na atividade de planejamento e desenvolvimento das estratégias de ensino que minimizem essa limitação sem comprometer a qualidade e eficacidade da aprendizagem do aluno.

Willis (1992), afirma que a eficiência de um ensino à distância é mais resultado da preparação que da inovação. Por esta razão, o planejamento e o desenvolvimento da ação didática, assumem uma importância vital para o sucesso de qualquer programa de ensino à distância.

3.5.1. O PLANEJAMENTO EM EAD

O planejamento, em todas as áreas da atividade humana, é uma necessidade constante.

Tendo em vista a complexidade, heterogeneidade e multidimensionalidade que um processo educacional implica, e dos meios e recursos materiais e humanos envolvidos, planejar torna-se fundamental e imprescindível para a garantia de uma boa qualidade do sistema e sua eficácia.

O planejamento é a previsão das ações e procedimentos que o professor vai realizar junto a seus alunos, e a organização das atividades discentes e das experiências de aprendizagem, visando atingir os objetivos estabelecidos.

Ao planejar o ensino, o professor antecipa, de forma organizada todas as etapas do trabalho escolar. Cuidadosamente, identifica os objetivos, indica os conteúdos que serão desenvolvidos, seleciona os procedimentos que utilizará como estratégia de ação e prevê quais os instrumentos que empregará para avaliar o progresso dos alunos

Alguns dos princípios, procedimentos, recomendações que devem ser observados no planejamento da ação didática em EAD, são apresentados por Willis (1992)), Gottschalk (1996) and Siantz e Pugh (1997) seguindo os mesmos estágios básicos do procedimento de planejamento, desenvolvimento, avaliação e revisão presentes no compendio da Didática.

No planejamento, deve ser feito o levantamento de todas as informações necessárias à realização do curso. Nesta fase, devem ser considerados pelo menos três aspectos importantes para a realização de um curso eficaz:

* conhecimento das necessidades da clientela: nesta fase, busca-se verificar quais fatores conduziram à necessidade instrucional e quais experiências indicam que o curso possa atender efetivamente essa necessidade;
* conhecimento das características da clientela: conhecer para quem será direcionado o curso, as necessidades, faixa etária, características culturais, experiência acumulada (escolar, profissional), interesses e expectativas com o curso, experiência com os meios (se é usuário novato, eventual ou experiente, no caso de uso de meios eletrônicos), experiência com os recursos e métodos de ensino, como pretendem aplicar os conhecimentos e outras informações que possibilitem uma relação humanizada e mais personalizada do processo;
* estabelecimento de metas e objetivos. Com base nos conhecimentos das necessidades da formação e o conhecimento da clientela, busca-se estabelecer as metas e os objetivos que levam à realização das metas pretendidas.

3.5.2. O DESENVOLVIMENTO DO PLANEJAMENTO EM EAD

A fase de desenvolvimento é a culminância do processo de planejamento, onde se faz a previsão das atividades de ensino que se convertem no plano didático propriamente dito (seleção e organização do conteúdo, definição dos recursos e materiais didáticos, estratégias de ensino e avaliação).

Sugestões para o planejamento, segundo Willis (1992) e Gottschalk (1996), são:

* fazer um roteiro ou esboço do conteúdo, observando as necessidades de instrução, o conhecimento da clientela, as metas e objetivos do curso e o conteúdo desejado;
* rever os materiais existentes. Procurar não usar materiais "empacotados" para outras experiências, aproveitando-os dos cursos presenciais ou comercializados. Se optar por sua utilização, deve-se adaptá-los ao tipo de clientela e suas experiências;
* organizar e desenvolver o conteúdo observando suas exigências (teóricas, experimentais). Utilizar exemplos relevantes e concretos, da realidade sócio-culturais do aluno para uma aprendizagem contextualizada;
* selecionar e desenvolver os materiais instrucionais e a forma de distribuição e acesso a estes materiais (impressos, banco de dados, vídeos, áudios, eletrônicos e outros.), evitando apoiar-se em tecnologia de ensino não disponível ou de difícil acesso;
* iniciar o processo de planejamento informando-se sobre EAD, os pontos positivos e negativos dos sistemas de ensino disponíveis (áudio, vídeo, impressos, eletrônicos) e os meios técnicos que são transmitidos (linha telefônica, satélite, microondas, fibra ótica) bem como os limites e possibilidades de uso educacional dessas tecnologias;
* revisar o que já existe sobre idéias para conteúdo e apresentação, antes de criar algo novo ou adaptar um curso para a modalidade à distância;
* evitar soluções tecnológicas para problemas de ensino. Deve-se analisar os pontos positivos e negativos de possíveis modos de se abordar uma aula em termos de necessidades dos alunos e das exigências do curso, antes de optar por uma combinação de tecnologias de ensino;
* fazer um treinamento prévio com a tecnologia de ensino é fundamental. A realização de uma pré - aula com os alunos é recomendável para a familiarização com a tecnologia e para aprender um pouco sobre os papéis e responsabilidades da equipe de apoio técnico;
* definir com os alunos, no início da aula, o conjunto de regras, pautas e padrões de comportamento e etiqueta. É importante, nesse momento, apresentar também o programa de ensino;
* certificar-se de que todos dispõem do material, equipamentos e/ou dispositivos em condições de uso. Pode-se criar uma "linha quente" (toll free) para informar e retificar problemas;
* certificar-se se os materiais foram enviados e de que foram recebidos, antes de dar início à aula. Para auxiliar os alunos a manterem seus materiais organizados, considere o envio de um cronograma do curso junto com o conteúdo e a bibliografia, além de outras referências, antes da distribuição dos materiais. Se o meio for eletrônico, disponibilizar na home page as informações referentes ao curso.

3.5.3. O USO DAS TÉCNICAS DE ENSINO EM EAD

A qualidade da interação aluno/professor, aluno/aluno, aluno/interface, aluno/conteúdo possui também relação direta com as técnicas de ensino que são utilizadas, que devem ser (e são) aprimoradas, em sua maior parte, das técnicas já existentes e desenvolvidas outras que sejam adequadas ao sistema de EAD.

Willis (1992) sugere que se observe as seguintes estratégias para o uso eficaz das técnicas de ensino:

* desenvolver estratégias para reforço, revisão, repetição e correção. Discussões individuais ou em grupo via espaço off line ou on line podem ser eficazes;
* avaliar, realisticamente, a quantidade de conteúdo que pode ser efetivamente transmitido durante o curso. Devido a logística envolvida, apresentar um conteúdo à distância, geralmente exige maior gasto de tempo do que a apresentação do mesmo conteúdo no ambiente de uma aula convencional;
* diversificar e estabelecer etapas para as atividades do curso e evitar exposições longas. Alternar as apresentações do conteúdo com discussões e exercícios centrados nos alunos;
* estar consciente de que os alunos possuem estilos de aprendizagem e ritmos diferentes. Alguns irão aprender com mais facilidade em atividades de grupo, outros apresentarão um melhor desempenho trabalhando de forma independente. Entretanto, os diferentes estilos devem ser estimulados. À distância, é mais difícil identificar as preferências quanto ao estilo de aprendizagem;
* humanizar o curso concentrando-se nos alunos, e não no sistema de ensino;
* considerar o fornecimento de um forte componente impresso para suplementar materiais não impressos;
* utilizar exemplos e estudos de caso que sejam localmente relevantes e/ou significativos, tanto quanto possível, para auxiliar os alunos na compreensão e na aplicação do conteúdo do curso;
* ser conciso. Fazer afirmações curtas e coesivas, fazendo perguntas diretas, tendo em mente que as conexões técnicas podem aumentar o tempo gasto para que o aluno responda;
* personalizar o envolvimento, estando ciente de que em EAD, o valor do contato pessoal e da interação que se dá em pequenos grupos não se substitui. Se o orçamento e o tempo permitirem, ministrar pelo menos uma aula presencial em cada local remoto. Quanto mais cedo isto for feito, melhor.

Outras estratégias no uso das técnicas que podem ser utilizadas em sessões de aulas à distância, recomendadas por Prégent (1996), Siangs e Pugh (1997) e Cruz (1997), entre outros, estão sendo largamente experimentadas em aulas à distância, especialmente para aulas por vídeoconferência, por ser o ambiente que melhor simula e apresenta características de aula presencial), são elas:

3.5.3.1. Técnicas de questionamento:

Esta é uma técnica utilizada para clarificar ou expandir um determinado tópico que está sendo apresentado/estudado. É bastante utilizada pelo professor para verificar quanto e como o aluno absorveu determinado conteúdo/tópico, qual o seu entendimento da atual questão e, para provocar a participação do aluno, aumentando a interatividade na aula. Os estudantes devem ser estimulados a anotar as questões e estarem prontos para respondê-las quando solicitados.

3.5.3.2. Técnicas de estudo de caso:

É a descrição de uma situação real ou simulada, através de relatórios. Recomenda-se que estes sejam enviados com antecedência suficiente para serem realizados. A apresentação dos relatórios pode ser de forma individual ou em grupo (intra e inter grupos). As apresentações orais não devem ultrapassar 5-10 minutos.

3.5.3.3. Discussões orientadas/Painéis de discussões:

Ajuda a recolher uma grande variedade de opiniões, conduzindo a uma maior informalidade. As participações devem ser anotadas pelo professor (em quadro, papel ou computador), para uma revisão ao final da atividade. O material deve ser enviado com antecedência para leitura prévia e preparação para discussão. O professor deve atuar como moderador. Os membros do painel podem ser de grupos diferentes.

3.5.3.4. Exercícios ou práticas individuais:

Proporciona ao estudante a oportunidade de praticar habilidades. Pode ser feito on line ou off line com tempo determinado para entrega ou apresentação.

3.5.3.5. Exercícios ou práticas em grupo:

Encoraja a participação e constrói comportamento de grupo (inter e entre grupos). Estas atividades favorecem a introdução de novas técnicas, procedimentos e habilidades, incentivando a análise, o pensamento crítico e discussão. Desenvolve também habilidade de trabalho em equipe e a solução de problemas.

3.5.3.6. Atividade de campo:

Permitem atividades de enriquecimento fora do ambiente da aula. Apresenta-se como uma boa oportunidade para construir coesão. Deve ser feita o mais cedo possível, possibilitando que os estudantes de diferentes grupos e o professor encontrem-se em algum local.

3.5.3.7. Brainstorming:

Provoca o máximo de idéias para a solução de problemas, estimulando a criatividade do aluno. As idéias precisam ser anotadas, sem qualquer avaliação, antes da discussão propriamente dita. Regras básicas devem ser estabelecidas. A avaliação das idéias deve ser numa etapa separada. Pode ser feita entre grupos.

3.5.3.8. Painel de reações:

Estimula a participação da audiência (alunos, professor e convidados), que são instruídos a fazerem perguntas, interromper ou apresentar caminhos alternativos durante uma apresentação.

3.5.3.9. Demonstração:

Mostra os passos de um procedimento em menor espaço de tempo, mostra habilidades e permite reforço visual. Pode-se usar close ups ou câmara de documentos, slides computadorizados para esboçar os passos podendo repeti-los sempre que necessário.

Entre outras técnicas que podem ser desenvolvidas, destacam-se ainda o debate, as palestras de convidados, entrevista, conferência, dramatização e video clips.

3.5.4. A AVALIAÇÃO E REVISÃO EM EAD

A avaliação é um processo de coleta e análise de dados, que visa verificar se os objetivos propostos serão, estão sendo ou foram atingidos.

O objetivo da avaliação é prover informações quantitativas e qualitativas para a tomada de decisões. O ato de avaliar consiste, pois, em verificar se os objetivos estão sendo realmente alcançados e em que medida estão sendo alcançados para ajudar o aluno a avançar na aprendizagem e na construção do seu saber, bem como obter feedback do trabalho docente e discente.

Existem três modalidades de avaliação conforme as funções a que se aplicam:
Quadro 3.1 - Modalidades de avaliação
Modalidade

Função
Diagnóstico

Diagnóstico
Controle

Formativa
Classificação

Somativa

A função diagnóstico, na modalidade de avaliação diagnostico busca detectar as condições em que os alunos se encontram ao se iniciar um curso, unidade, tópico de unidade ou tema de estudo. Procura verificar a presença ou ausência de habilidades, interesses, possibilidades e necessidades de cada aluno ou grupo. Auxilia o professor a identificar quais aspectos do conteúdo precisam ser reforçados para seguir adiante.

A função formativa na modalidade de controle, procura detectar falhas ou insucessos no decorrer da aprendizagem, indicando como os alunos estão se modificando em direção aos objetivos pretendidos. Serve, também, para contribuir para o aperfeiçoamento da prática docente, adequando os procedimentos de ensino às necessidades dos alunos que forem sendo detectadas durante o processo de aprendizagem. O aproveitamento do aluno reflete, em grande parte, a atuação do professor.

A função somativa, na modalidade classificação, permite verificar ao final de um processo: o tema, o tópico, a unidade, o curso, o bimestre, o semestre, o módulo; se os comportamentos desejados foram alcançados e em que nível. Permite ainda classificar resultados quantitativos e qualitativos obtidos pelos alunos tendo por base de comparação os níveis de aproveitamento pré - estabelecidos.

Willis (1992) e Gottschalk (1996), destacam algumas ações que devem ser desenvolvidas pelo professor na fase de avaliação do processo ensino - aprendizagem:

* revisar metas e objetivos;
* desenvolver uma estratégia de avaliação: decidindo sobre o como e quando avaliar, quais técnicas e instrumentos de avaliação utilizar conforme as peculiaridades da clientela, do conteúdo, do curso ;
* proceder a avaliação formativa para obter feedback sobre o ensino. Gottschalk (1996) sugere o uso de mini - avaliações por cartões pré-dirigidos e timbrados, uso de telefone, e-mail e outros, para que o aluno se manifeste, indicando os aspectos positivos e negativos do curso e sobre seu próprio desenvolvimento;
* proceder à avaliação somativa para coletar dados sobre o desempenho do aluno, buscando fazê-lo do modo mais participativo possível;
* coletar os dados tanto por métodos qualitativos quanto quantitativos;
* a coleta dos dados deve servir para melhorar o curso em andamento e para os próximos cursos, mediante a identificação dos fatores de sucesso e de fracasso.

A fase de revisão é o resultado direto da avaliação e deve ser feita tão logo termine o curso.

A orientação básica para testar idéias de revisão é discuti-las com pequenos grupos de alunos distantes, colegas e especialistas.

3.5.5. ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR A INTERATIVIDADE E O FEEDBACK EM EAD

Qualquer que seja o nível de interação, especialmente o uso de estratégias sugeridas por Willis (1992) para melhorar a interação e o feedback, permitem ao professor identificar e atender as necessidades individuais dos alunos, ao mesmo tempo em que se possibilita um fórum de sugestões para o aprimoramento do curso. Assim, deve-se considerar:

* a integração de várias meios de interação: telefone, fax, correio eletrônico, vídeo e computador para contato individual e conferências. Se possível, encontros presenciais e visitas pessoais;
* o contato com cada local (ou estudante), com regularidade, especialmente no começo do curso;
* comentários detalhados sobre as tarefas por escrito, indicando fontes adicionais para informação suplementar. Devolver as tarefas sem demora, usando fax ou correio eletrônico;
* o estabelecimento de horas de atendimento aos estudantes;
* ao iniciar o curso, solicitar que os alunos estabeleçam contato com o professor e interajam entre si através de correio eletrônico, telefone ou outro meio, para que se sintam à vontade com o processo. Manter e partilhar revistas eletrônicas pode ser bastante eficaz neste sentido;
* o uso de questões pré - aula para promover e encorajar o pensamento crítico e a participação por parte de todos os alunos. Compreender que para aprimorar padrões de comunicação insatisfatórios, demanda tempo.
* a apresentação das anotações pelos alunos, com frequência, de modo que mantenham um diário de pensamentos e idéias sobre o conteúdo do curso, sobre seus progressos individuais e outras preocupações;
* a utilização de cartões previamente selados e endereçados e conversas telefônicas, on line, ou outro meio, fora do horário de aula para obter feedback sobre o conteúdo, relevância, andamento, apresentação de problemas e outras preocupações pedagógicas.
* a garantia da participação de todos os estudantes e pontos, desencorajando, educadamente, aqueles que são monopolizadores;
* o uso de um "facilitador" em cada grupo para estimular a interação dos alunos que se mostrarem hesitantes em fazer perguntas ou participar. O facilitador pode agir como sendo os "olhos e ouvidos" do professor nos pontos remotos.

3.5.6. ESTRATÉGIAS PARA ATENDER AS NECESSIDADES DO ESTUDANTE

Um sistema de ensino à distância, para um funcionamento eficaz, deve ser adaptado ao aluno, da melhor forma, objetivando motivar e satisfazer as necessidades do estudante, tanto em termos de conteúdo quanto de estilos de aprendizagem.

As estratégias sugeridas por Willis (1992) para satisfazer as necessidades dos estudantes, são:

* alertar os alunos para os novos padrões de comunicação a serem utilizados no curso, fazendo sentirem-se confortáveis com esses padrões;
* informar-se sobre as experiências e a formação da clientela;
* ser sensível aos diferentes estilos de comunicação e às várias formações culturais (domínio de línguas, hábitos, costumes e outros);
* alertar o aluno a assumir papel ativo no curso e responsabilidade pela própria formação, a importância da auto- disciplina e demais papéis que tem a desempenhar na aprendizagem à distância;
* ajudar os alunos a se familiarizarem e sentirem-se confortáveis com a tecnologia de ensino, preparando-os para resolverem os problemas técnicos que surgirem. Concentrar-se na solução dos problemas em conjunto;
* estar alerta para o cumprimentos dos prazos.

3.6. A VIDEOCONFERÊNCIA COMO AMBIENTE DE EAD

As possibilidades educativas da videoconferência são bastante amplas posto que se constitui num meio interativo de comunicação audiovisual bidirecional, transmitindo imagem e som em tempo real para diferentes lugares e diferentes pessoas simultaneamente.

Tecnicamente, a videoconferência faz parte de uma classificação mais geral, sendo um tipo particular de teleconferência, ou seja, é um tipo de conferência audiográfica que envolve transmissão de áudio, sinais de controle e imagens estáticas, acrescidas do envio on line e em tempo real de sinais de vídeo entre vários pontos e participantes.

Uma descrição mais clara é feita por Spanhol (1997), ao dizer que a videoconferência é resultado da integração que ocorreu com o aprimoramento de todas as tecnologias de Informação e Comunicação: o som do rádio, a imagem da televisão, a interação do telefone, integrados via software e hardware de computador, que através de um procedimento de "compressão algorítmica", trata e comprime o sinal "n" vezes menor que o original, permitindo a transmissão via linhas de bandas mais estreitas. Tudo em um único suporte, funcionando integradamente com outro equipamento com as mesmas características e protocolos mínimos estabelecidos pelos fabricantes para que os equipamentos possam "se entender" e permitir a interação entre os usuários dos sistemas.

Como ambiente de aprendizagem, a videoconferência não é um novo método de ensino, constitui-se, sim num novo meio técnico para o ensino. De acordo com Pregent & Demers (1996), como todo meio, não possui nenhuma vertente pedagógica intrínseca. A vertente é definida no planejamento de acordo com os objetivos do curso.

No plano pedagógico, a tecnologia de videoconferência apresenta limites não negligenciáveis, pois não admite, ainda, movimentos bruscos e rápidos diante da câmera, exigindo uma estratégia pedagógica e didática do professor para minimizar os efeitos dessa limitação. Requer o engajamento do estudante no processo e que o professor reorganize seu ensino de modo a manter o interesse dos grupos de estudante, além de necessitar um eficaz apoio técnico e pedagógico.

É importante destacar, conforme alerta Pregent & Demers (1996), quanto aos tipos de cursos convenientes à videoconferência, em princípio todos os cursos que ocorrem de maneira convencional, podem se dar por meio de videoconferência. A exceção é dada aos cursos clínicos, de laboratório ou outros que exigem atividades manipulativas. Entretanto convém ressaltar que existem outros meios complementares para suprir esta limitação, através de diversas mídias virtuais de apoio.

No caso de atividades de ensino de caráter prático, laboratorial, experimental, é evidente a necessidade de mesclar o curso com atividades de campo, estágios, visitas técnicas, além de recorrer a outras mídias de apoio para exercícios simulados, observações e/ou experiências, como por exemplo os sistemas especialistas, os tutoriais inteligentes, CD Rom, Realidade Virtual e outros.

3.7. A INTERNET COMO AMBIENTE DE VIDEOCONFERÊNCIA

Depois do rádio, do telefone e da televisão, a Internet, a maior rede de computadores que conecta computadores pessoais no mundo inteiro, explodiu como meio de informação e comunicação, sendo utilizada para múltiplos objetivos: lazer, negócios, pesquisas, publicidade, educação entre outras utilidades.

Uma definição mais objetiva desta tecnologia é dada por Barcia (et all, 1996), quando define a Internet como uma modalidade de troca de informações entre computadores heterogêneos situados em ambientes remotos, interconectados através de um modem que se liga por linha telefônica aos backbones existentes em cada país.

Sendo um meio privilegiado para comunicação hipermídia, apresenta um grande potencial para a educação presencial e à distância.

O desenvolvimento rápido das redes de computadores, a melhoria substancial do poder de processamento dos computadores pessoais e os avanços em tecnologia de armazenamento e compartilhamento de dados, fizeram do computador e da Internet uma poderosa ferramenta para a Educação à Distância, provendo novos e interativos meios para superar o tempo, a distância e a interatividade entre aluno/interface, aluno/conteúdo, aluno/professor e aluno/aluno.

Segundo Moura Filho(1997), a tecnologia de infra estrutura de redes, com a sensível melhoria da largura de banda dos sistemas de comunicação, o aumento do poder de processamento dos computadores e o desenvolvimento de algorítmos de compressão cada vez mais eficientes, conseguiu-se trazer a videoconferência para a internet e até para os computadores pessoais.

3.8. CONSIDERAÇÕES GERAIS

Da máquina de ensinar à realidade virtual, do lápis ao teclado, do correio à internet, houve um avanço considerável na incorporação da tecnologia ao processo ensino - aprendizagem presencial e à distância.

Os desafios tecnológicos e pedagógicos da informática educativa, especialmente para a Educação à Distância são muitos e complexos. O caminho para o uso das novas tecnologias educacionais está em aberto, encontra-se em fase pioneira e acelerada expansão. As experiências são ainda isoladas e incipientes Sua consolidação depende de muitos fatores. Requer tempo, planejamento, trabalho de equipe, profissionais preparados, equipamentos e outras condições para a realização de bons programas educacionais.

Mudança de mentalidade e competência são exigidos dos profissionais envolvidos,b principalmente do professor, figura central neste processo, que deve estar preparado para utilizar a tecnologia como meio e ferramenta (e não fim em si mesmo) para fazer educação. Por esta razão, ensinar, mas também aprender, constitui sua maior tarefa.

Além do preparo profissional é fundamental também, que as interfaces de ambientes de aprendizagem informatizados sejam desenvolvidas de forma que seus usuários possam interagir de modo eficaz, seguro e amigável, adaptados, o mais possível, às suas necessidades. Neste aspecto, a ergonomia em informática contribui para o processo de concepção e avaliação de produtos educacionais.

O capítulo seguinte aborda algumas considerações da ergonomia em informática, destacando dois procedimentos para concepção e avaliação de interfaces interativas e critérios ergonômicos para verificação da conformidade ergonômica de interfaces computadorizadas. O referido capítulo visa abordar a questão tecnológica para, no fazer pedagógico da educação computadorizada, construir bases de conhecimentos para a participação efetiva do profissional de educação na produção e avaliação de produtos educacionais informatizados, que será abordado no quinto capítulo.

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