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27 de março de 2009
PROFESSOR - UM COMUNICADOR QUE DEVE PROVOCAR A APRENDIZAGEM
Autor(a): Terezinha Machado
As próximas décadas serão de uma sociedade em mudança acelerada, com um alto nível tecnológico, com um grande avanço do conhecimento em todas as áreas.
A preparação do professor não poderá, portanto, restringir-se à formação meramente acadêmica que se restringe à preparação disciplinar, curricular, mediadora, ética com uma visão institucional e coletiva e, quem sabe, uma bagagem sociocultural; além de outros elementos que até o momento não faziam parte dos cursos de formação de professores como intercâmbios internacionais, relações estreitas com as comunidades, relações com assistência social a seus alunos, etc.
Os professores estão assumindo responsabilidades educativas que corresponderiam a outros agentes de socialização que não lhe eram cobradas em décadas passadas. Havia uma clara definição do papel da escola e o da família em relação à Educação.
Efeitos da globalização, com indicadores para medir a qualidade educativa, a falsa autonomia da educação e a gestão educacional demandam uma rediscussão do papel do poder, da autoridade e do autoritarismo. Todo este novo modo de gerenciar o processo ensino-aprendizagem anteriormente envolvia apenas alunos e Professores. Hoje, quando estamos valorizando o Projeto-Político-Pedagógico de cada escola, vê-se que toda a comunidade, o entorno da escola faz parte do processo de aprendizagem daquele pequeno grupo social. A participação da comunidade na tomada de decisões escolares é atualmente uma das grandes saídas que se vislumbra na melhoria da qualidade de ensino nas escolas públicas.
A legitimação oficial da transmissão do conhecimento escolar que antes era imutável, hoje é vista como transitória e provisória, frente às recentes descobertas de pesquisas de novos teóricos na área da Educação – Se o professor parar de estudar, vai morrer da doença da paralisação paradigmática.
Faz-se necessário a identificação do currículo oculto das estruturas educativas. A formação permanente deve ajudar o professor a desenvolver um conhecimento profissional que lhe permita avaliar a necessidade potencial e a qualidade de inovação educativa que deve ser introduzida constantemente nas instituições.
O professor deve tornar seu olhar pesquisador, investigador e trabalhar junto com outros professores, aprendendo com o outro e buscando novas soluções e informações. O aluno é da escola, o professor é de todos. Que tal enfrentar-se juntos as dificuldades?
O crescimento do professor está centrado na Escola, a base é o diálogo e a confiança no outro, compartilhada pelos participantes, não julgando o papel e a tarefa de cada um, mas tendo como marco a reflexão conjunta e significativa, propondo metas a serem atingidas para o sucesso dos alunos, com o auxílio de todos.
A Equipe Pedagógica que conquista seu grupo, que consegue juntá-lo pelos laços da afetividade e compromisso profissional, passa a exercer a função de maestro de uma orquestra afinada, harmônica e feliz.
Breve histórico das mudanças ocorridas na Educação no século XX
Anos 60
Crise mundial da Educação. O professor vê-se no centro dessa crise. Há grande expansão da escolarização e ampliação das redes escolares.
Atualmente, comparando os problemas com os da década de 60, vê-se o paradoxo das sociedades cada vez mais escolarizadas e, por outro lado, com maiores problemas de civilização, de ética, de moral e de aprendizagem. Durante os últimos 20 anos, a humanidade acumulou mais conhecimentos técnicos do que todo o conhecimento humano até então.
Paulo Freire, na sua simplicidade de grande mestre, disse, nessa época:
“Se é possível alterar o que vem do chão,
se é possível enfeitar a casa,
se é possível crer desta ou daquela forma,
se é possível nos defender do frio e do calor,
se é possível desviar o leito dos rios, fazer barragens,
se é possível mudar o mundo que não fizemos, o da natureza,
por que não mudar o mundo que fizemos,
usando a cultura, o livro e a história?”
Neste balanço das formas de atuação do professor, o professor Rui Canário nos mostra três histórias bem pertinentes ao que queremos demonstrar em relação à importância das mudanças profundas na Formação Profissional do Professor:
1. Aprendizagem de natação da Marinha portuguesa onde o Professor é argüido por um aluno que é campeão de natação, enquanto o professor prepara novos recrutas para aprenderem a nadar: - “Mestre, sendo eu campeão de natação, não poderia ser dispensado desta aula, em terra, só de exercícios?” Então o Mestre responde: - “Não, porque tu sabes nadar em piscina cheia de água, mas, aqui no solo você nunca nadou”.
[Fica claro um traço fundamental – a dissociação da experiência do aprendente com o saber valorizado pela escola. Neste caso o Professor não valoriza o saber que o aluno já possui e não lhe atribui significação. O importante é seguir o Programa!]
2. Trabalho de casa: O professor dá o conceito de zênite e passa para casa a tarefa: O que é zênite? A própria filha do Professor Rui Canário traz-lhe a pergunta: - “Pai, o que é zênite?” O pai fica meio atrapalhado, mas tenta lhe explicar, mas antes pergunta a filha se não havia outros colegas que também não tivessem entendido o conceito de zênite. Resposta da filha: - “Ninguém entendeu, papai”. Então, o pai pergunta: - “Mas, filha, e tu não perguntastes a teu Professor ou algum dos teus colegas sobre o que é zênite?” A filha: - “Sim, papai. Então o Professor disse para não nos preocuparmos com isso. Porque abóboda celeste não existe, o zênite é um ponto imaginário que passa da abóbada celeste pelo meio do nosso crânio. E, por último disse que, provavelmente, nunca iríamos usar este conceito”.
[Traço fundamental – qual é o sentido da aprendizagem?]
3. A 3ª história passa-se num exame de Física, com um aluno inteligente, e que tinha estudado pouco. O professor pergunta como o aluno usaria o barômetro para medir a altura de um prédio. O aluno deu várias explicações diferentes, mas todas corretas, porém diferentes da que o Professor ensinara em aula. Assim, o aluno não foi aprovado, mesmo mostrando toda sua criatividade e conhecimentos variados sobre o assunto. Apenas não deu a RESPOSTA QUE O PROFESSOR QUERIA.
4.
[Traço fundamental – inversão da escola: Quem faz as perguntas são aqueles que já sabem as respostas, e não os alunos que têm a curiosidade]
Já no final do século XX, o economista Robert Harsh vê dessa forma o currículo: “Uma linha de produção, dividida ordeiramente em disciplinas, ensinadas em unidades de tempo pré-estabelecidas, organizadas em graus e controladas por testes standarizados, destinados a excluir as unidades defeituosas e devolvê-las para reelaboração”.
O professor Rui Canário vê, no século XX, três tipos de escola:
• Escola das certezas: Primeira metade do século XX
- Funcionou como fábrica de cidadãos nacionais.
- A escola tinha um conjunto de valores e formava o cidadão.
- Os professores gozavam de grande prestígio.
- Os professores eram construtores da cidade-nação, eram os principais construtores da República.
- Preparavam para o ingresso na divisão do trabalho.
- Registro elitista, mas promoviam, excepcionalmente, por ascensão social.
- Não produziam desigualdades sociais.
- Procuravam ser justos, num mundo injusto.
• Escola das promessas: Final da II Guerra Mundial até os anos 70
- Época chamada pelos economistas de 30 anos gloriosos.
- Diversificação da oferta educativa.
- Atitudes de euforia e otimismo, a escola era portadores de três promessas: a de desenvolvimento, a de mobilidade social ascendente e a de maior justiça e igualdade social.
- Euforia compartilhada pelos poderes públicos e pela população à busca de um futuro melhor para seus filhos
• Escola das incertezas: Surge ainda nos anos 60
- Aparece a recessão, ao invés das escolas das certezas e das promessas, a escola passa a ser vista como uma instituição injusta, dentro de uma sociedade também injusta.
- Insere-se num contexto marcado por pessoas cada vez mais escolarizadas, aumento das desigualdades sociais, aumento de desemprego estrutural, precarização do trabalho, desvalorização dos diplomas e, ao mesmo tempo, os diplomas se tornam mais necessários, embora cada vez menos rentáveis.
Pode-se sonhar com um Quarto tipo de Escola, dando continuidade ao item anterior?
Nós proporíamos a Escola da esperança para os dias atuais.
Dialeticamente, só se busca o que não se tem:
- Pede-se paz, porque foi perdida nas ondas de agressividade e violência do mundo moderno.
- Procura-se pela qualidade de ensino, porque não há conformação com o quadro de fracasso na aprendizagem nas escolas.
Muito mais teríamos a falar da Escola da Esperança, mas o que mais se necessita atualmente é de novas ações, criatividade e compromisso, para que se possa dar ao Povo a Educação de Qualidade tão almejada por todos.
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