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09 de fevereiro de 2009
Falta de limite e Indisciplina
Autor(a): MARCELO GONZATTO

Quando o limite falta, a indisciplina comparece

A falta de disciplina que dificulta o ensino nas escolas públicas e privadas não se limita às paredes da sala de aula.

Aavaliação de especialistas em educação de que a família exerce um papel fundamental no comportamento dos alunos foi confirmada por uma enquete proposta em uma reportagem na edição de ontem de Zero Hora sobre esse tema. A resposta preferida pelos leitores à pergunta “Por que o respeito acabou?”, referindo-se à relação dos estudantes com os professores, foi a falta de limites impostos ainda dentro de casa.

Durante o final de semana, centenas internautas se manifestaram no site de zerohora.com sobre o drama dos conflitos vivenciados no ambiente escolar – fenômeno que já foi sentido por oito em cada 10 professores da rede particular que revelaram já ter sofrido alguma forma de desconstituição de sua autoridade, e motiva 40% das licenças de saúde dos docentes da rede pública estadual.

Às 21h de ontem, 55,6% dos participantes da pesquisa interativa de ZH, que não tem critério científico mas encontra respaldo na opinião de especialistas em educação, avaliavam que o epicentro dos conflitos em sala de aula se encontra na verdade no ambiente doméstico. Para a psicopedagoga Fabiani Ortiz Portella, mestre em Educação e presidente da seção gaúcha da Associação Brasileira de Psicopedagogia, o pouco tempo que pais e mães passam com os filhos é um dos motivos para essa dificuldade em estabelecer limites.

– Trabalham o dia inteiro. Dizer “não” dá muito trabalho, é algo que exige muito – avalia a psicopedagoga.

Outra parcela de culpa de parte das famílias é a distância que mantém do colégio dos filhos. Segundo Fabiani, alguns pais somente procuram a escola no final do ano, quando o estudante já corre risco de repetência, ou quando são convocados para tratar de problemas disciplinares.

– Teve um menino que adulterou o boletim antes de mostrá-lo ao pai. Se o pai acompanhasse o filho mais de perto, saberia o que estava acontecendo na escola – observa.

marcelo.gonzatto@zerohora.com.br
MARCELO GONZATTO

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