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02 de janeiro de 2009
A Nova Reforma Ortográfica
Autor(a): Terezinha Machado (Revista Dinâmica)
Você sabe escrever corretamente?
Meus amigos leitores, já está em vigor a Nova Reforma Ortográfica que terá o prazo até 2112 para que todos se adaptem à nova realidade da Língua Portuguesa.
Particularmente, acho que temos muitos problemas sérios a serem enfrentados do que fazer uma outra reforma ortográfica (as anteriores foram em 1911 e 1971), que a meu ver, em muitos casos irá dificultar o entendimento da leitura, só o contexto irá nos dizer que pronúncia dar àquela palavra. O Brasil é um país que aplica verbas em Educação insuficientes para todo o território nacional, fazer esta Reforma em época de crise mundial cria uma despesa enorme para mudar todos os livros didáticos, gramáticas e outros livros. Isto não está adequado ao que se vê em outros países que fazem cortes em suas despesas, nós iremos aumentá-las por um acordo, que pelo menos poderia ser adiado, pois a crise não é nossa, é de todos os países.
Não há mais o que fazer, a Lei está assinada desde a década de noventa, no século XX, colocada sua vigência a partir de 1º de janeiro de 2009. O ano começou bem, vamos todos ter que voltar a estudar, pois com certeza nem este texto estará completamente dentro das novas regras.
Como professora de português, confesso certa resistência a retirar o trema da palavra lingüiça, por exemplo, como vou ler o “u” sem o trema? É claro que deveria mudar a pronúncia. Bem, mas não adianta lamentar que a nossa língua vai ficar menos bela por causa de uma reforma que é feita para unificar a Língua Portuguesa falada em outros países de mesmo idioma.
Na década de setenta, foi feita uma reforma ortográfica com Portugal e nós tiraríamos o acento diferencial e em troca Portugal tiraria a consoante muda como em contacto, passando a se escrever contato. Perguntem se realmente retiraram tal consoante? Na prática ainda há pessoas até hoje que ignoram tal regra em Portugal. Verão em um texto oficial a prova do que falo.
Bem, vamos às informações sobre as mudanças que de agora em diante passam a vigorar. Pesquisa realizada na Internet, em vários sites que tratam do assunto e no O Globo digital:
*K, W, Y: O acordo incorpora definitivamente ao alfabeto usado na língua portuguesa as letras K, W e Y.
*HIATO “OO”: Não leva circunflexo o primeiro “o” do hiato “oo”. Exemplo: “enjoo”.
*ACENTO DIFERENCIAL: Não será mais usado para distinguir palavras homógrafas.
Passam a ser grafadas da mesma maneira, por exemplo, para (verbo) e para (preposição).
*Exceção: “pôde” e “pode”. Facultativo: fôrma (substantivo) e forma (substantivo, verbo).
*CREEM: Não levam acento circunflexo as formas verbais creem, leem, deem, veem e seus derivados (descreem, releem, desdeem, reveem etc.).
*PAROXÍTONAS: Não levam acento agudo as vogais tônicas “i” e “u” das palavras paroxítonas quando precedidas de ditongo.
Exemplos: “baiuca”, “feiura”, “baiuno”, “cauila”.
*TREMA: O uso do trema é completamente eliminado pelo acordo.
CONSOANTES: São eliminadas as consoantes mudas ainda utilizadas no português falado fora do Brasil.
Exemplos: “ação (em vez de acção)” e “ótimo (óptimo)”.
*DITONGOS: Não serão mais acentuadas as paroxítonas com ditongos abertos “ei” e “oi”, caso de “assembleia”, “ideia”, “heroico” ou “jiboia”.
É importante lembrar que o acento é mantido nas oxítonas, como “herói”. O texto deixou dúvidas, porém, nos casos em que o ditongo está em paroxítonas terminadas em “r”, como “destróier”. A Academia Brasileira de Letras diz que vai manter em seu vocabulário ortográfico a acentuação nesses casos.
*HÍFEN: São várias as dúvidas criadas pelo acordo. Entre elas, a suscitada pela regra que determina que ele não seja mais utilizado nos termos compostos “em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição”, uma norma que dá margem a interpretações subjetivas. A Academia Brasileira de Letras avisou que vai adotar uma interpretação literal do texto do acordo e suprimir o hífen apenas nos dois casos mencionados pelo documento: “pára-quedas” e “pára-quedista”, que passam a ser grafadas “paraquedas” e “paraquedista”.
Ao escrever esse texto com as mudanças ortográficas, meu computador se rebelou, o corretor do editor de texto Word registrou como erro todas as palavras grafadas pela Nova Ortografia. Espero que, em breve, o Windows faça mais uma atualização.
No site da Wikepédia, temos o seguinte trecho, escrito no português de Portugal: “A adopção da nova ortografia, de acordo com os dados da Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (que se baseiam exclusivamente numa lista de 110 000 palavras da Academia das Ciências de Lisboa), irá acarretar alterações na grafia de cerca de 1,6% do total de palavras na norma euro-afro-asiático-oceânica (em Portugal, PALOP, Timor-Leste e Região Administrativa Especial de Macau) e de cerca de 0,5% na brasileira.” (Nota da coluna: reparem como eles ainda escrevem a consoante muda, como foi citada neste artigo, anteriormente.)
Li que o próprio Governo adiou as encomendas de livros e dicionários, para a Rede Pública de Ensino, de acordo com a nova Lei de Ortografia, aguardando o novo “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”, que ainda não foi editado, elaborado por uma equipe liderada pelo filólogo Evanildo Bechara, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.(UERJ)
Segundo a mídia, a nova edição ainda não saiu devido às dúvidas que a equipe encarregada da mudança ainda encontra. Imaginem como nós, simples leitores, vamos enfrentar a mudança.
Existem estudiosos da Língua, gramáticos, lingüistas (o meu corretor ainda não me permite retirar o trema, perdoem), filólogos, etimologistas que têm fundamentação suficiente para serem contra a Reforma, mas também há os que em nome de uma facilitação (?!) de união entre os povos que falam o Português possam ter uma mesma base ortográfica de comunicação.
Enfim, está feito, leitores, espero que esta coluna possa ter contribuído para seu esclarecimento.
Feliz 2009!
Publicado na Revista Dinâmica em 2 de janeiro de 2009.
www.revistadinamica.com
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Meus amigos leitores, já está em vigor a Nova Reforma Ortográfica que terá o prazo até 2112 para que todos se adaptem à nova realidade da Língua Portuguesa.
Particularmente, acho que temos muitos problemas sérios a serem enfrentados do que fazer uma outra reforma ortográfica (as anteriores foram em 1911 e 1971), que a meu ver, em muitos casos irá dificultar o entendimento da leitura, só o contexto irá nos dizer que pronúncia dar àquela palavra. O Brasil é um país que aplica verbas em Educação insuficientes para todo o território nacional, fazer esta Reforma em época de crise mundial cria uma despesa enorme para mudar todos os livros didáticos, gramáticas e outros livros. Isto não está adequado ao que se vê em outros países que fazem cortes em suas despesas, nós iremos aumentá-las por um acordo, que pelo menos poderia ser adiado, pois a crise não é nossa, é de todos os países.
Não há mais o que fazer, a Lei está assinada desde a década de noventa, no século XX, colocada sua vigência a partir de 1º de janeiro de 2009. O ano começou bem, vamos todos ter que voltar a estudar, pois com certeza nem este texto estará completamente dentro das novas regras.
Como professora de português, confesso certa resistência a retirar o trema da palavra lingüiça, por exemplo, como vou ler o “u” sem o trema? É claro que deveria mudar a pronúncia. Bem, mas não adianta lamentar que a nossa língua vai ficar menos bela por causa de uma reforma que é feita para unificar a Língua Portuguesa falada em outros países de mesmo idioma.
Na década de setenta, foi feita uma reforma ortográfica com Portugal e nós tiraríamos o acento diferencial e em troca Portugal tiraria a consoante muda como em contacto, passando a se escrever contato. Perguntem se realmente retiraram tal consoante? Na prática ainda há pessoas até hoje que ignoram tal regra em Portugal. Verão em um texto oficial a prova do que falo.
Bem, vamos às informações sobre as mudanças que de agora em diante passam a vigorar. Pesquisa realizada na Internet, em vários sites que tratam do assunto e no O Globo digital:
*K, W, Y: O acordo incorpora definitivamente ao alfabeto usado na língua portuguesa as letras K, W e Y.
*HIATO “OO”: Não leva circunflexo o primeiro “o” do hiato “oo”. Exemplo: “enjoo”.
*ACENTO DIFERENCIAL: Não será mais usado para distinguir palavras homógrafas.
Passam a ser grafadas da mesma maneira, por exemplo, para (verbo) e para (preposição).
*Exceção: “pôde” e “pode”. Facultativo: fôrma (substantivo) e forma (substantivo, verbo).
*CREEM: Não levam acento circunflexo as formas verbais creem, leem, deem, veem e seus derivados (descreem, releem, desdeem, reveem etc.).
*PAROXÍTONAS: Não levam acento agudo as vogais tônicas “i” e “u” das palavras paroxítonas quando precedidas de ditongo.
Exemplos: “baiuca”, “feiura”, “baiuno”, “cauila”.
*TREMA: O uso do trema é completamente eliminado pelo acordo.
CONSOANTES: São eliminadas as consoantes mudas ainda utilizadas no português falado fora do Brasil.
Exemplos: “ação (em vez de acção)” e “ótimo (óptimo)”.
*DITONGOS: Não serão mais acentuadas as paroxítonas com ditongos abertos “ei” e “oi”, caso de “assembleia”, “ideia”, “heroico” ou “jiboia”.
É importante lembrar que o acento é mantido nas oxítonas, como “herói”. O texto deixou dúvidas, porém, nos casos em que o ditongo está em paroxítonas terminadas em “r”, como “destróier”. A Academia Brasileira de Letras diz que vai manter em seu vocabulário ortográfico a acentuação nesses casos.
*HÍFEN: São várias as dúvidas criadas pelo acordo. Entre elas, a suscitada pela regra que determina que ele não seja mais utilizado nos termos compostos “em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição”, uma norma que dá margem a interpretações subjetivas. A Academia Brasileira de Letras avisou que vai adotar uma interpretação literal do texto do acordo e suprimir o hífen apenas nos dois casos mencionados pelo documento: “pára-quedas” e “pára-quedista”, que passam a ser grafadas “paraquedas” e “paraquedista”.
Ao escrever esse texto com as mudanças ortográficas, meu computador se rebelou, o corretor do editor de texto Word registrou como erro todas as palavras grafadas pela Nova Ortografia. Espero que, em breve, o Windows faça mais uma atualização.
No site da Wikepédia, temos o seguinte trecho, escrito no português de Portugal: “A adopção da nova ortografia, de acordo com os dados da Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (que se baseiam exclusivamente numa lista de 110 000 palavras da Academia das Ciências de Lisboa), irá acarretar alterações na grafia de cerca de 1,6% do total de palavras na norma euro-afro-asiático-oceânica (em Portugal, PALOP, Timor-Leste e Região Administrativa Especial de Macau) e de cerca de 0,5% na brasileira.” (Nota da coluna: reparem como eles ainda escrevem a consoante muda, como foi citada neste artigo, anteriormente.)
Li que o próprio Governo adiou as encomendas de livros e dicionários, para a Rede Pública de Ensino, de acordo com a nova Lei de Ortografia, aguardando o novo “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”, que ainda não foi editado, elaborado por uma equipe liderada pelo filólogo Evanildo Bechara, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.(UERJ)
Segundo a mídia, a nova edição ainda não saiu devido às dúvidas que a equipe encarregada da mudança ainda encontra. Imaginem como nós, simples leitores, vamos enfrentar a mudança.
Existem estudiosos da Língua, gramáticos, lingüistas (o meu corretor ainda não me permite retirar o trema, perdoem), filólogos, etimologistas que têm fundamentação suficiente para serem contra a Reforma, mas também há os que em nome de uma facilitação (?!) de união entre os povos que falam o Português possam ter uma mesma base ortográfica de comunicação.
Enfim, está feito, leitores, espero que esta coluna possa ter contribuído para seu esclarecimento.
Feliz 2009!
Publicado na Revista Dinâmica em 2 de janeiro de 2009.
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