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30 de novembro de 2008
ALFABETIZAÇÃO: REVENDO CONCEPÇÕES
Autor(a): Warlen Fernandes Soares Maques


Portal Psicopedagogia OnLine

A alfabetização esteve por muito tempo atrelada à concepção de exercícios de prontidão e a uma mera transmissão de técnicas que pensava-se tornava o aluno apto para ler e escrever embora o lido e o escrito não fossem compreendidos em sua acepção maior. Não havia uma conexão entre o mundo real da criança e o contexto social da qual esta fazia parte.



A questão do fracasso escolar não pode vir descolada deste tipo de prática mecânica que além da exigência de pré-requisitos ainda “cobrava” uma linguagem culta, correta e exercícios psicomotores repetitivos. Aquele que não se enquadrava aos padrões era tido como “anormal”.



Por muitas vezes, a criança com baixo padrão de desempenho escolar era estereotipada sem que as causas deste seu desempenho (não satisfatório) fossem também atribuídas à escola ou aos métodos por ela utilizados.



A criança quando adentra os muros da escola já tem uma leitura de mundo que extrapola a leitura das palavras. Ela já reconhece rótulos, símbolos, sinais que podem e devem ser utilizados como uma sondagem.



Paulo Freire nos ensina: “Como alfabetizar sem conhecimentos precisos sobre a aquisição da linguagem, sobre linguagem e ideologia, sobre técnicas e métodos do ensino da leitura e da escrita?... sem ir conhecendo as manhas com que os grupos humanos produzem sua própria sobrevivência.”



Alfabetização tem um conceito, mais do que isto tem uma conotação muito ampla. É um processo que não pode deixar de considerar a formação do indivíduo em sua totalidade e que vise à autonomia do educando. Requer dentre outros aspectos uma postura de desprendimento do conhecimento como verdade única por parte do educador. É ir além das concepções teóricas embora obviamente não possamos ignorá-las.



Há que se respeitar à leitura de mundo com que o aluno (adulto ou criança) chega à escola O desrespeito a essa leitura revela falta de preparo do educador para lidar com as diferenças. Padroniza-se o que não pode ser padronizado: o ritmo de cada aluno para aprender.



Alfabetizar é trabalhar na diversidade e na contradição para o desenvolvimento do ser global. Requer a superação de uma visão cartesiana de educação. É uma práxis!



Há que se valorizar o que o “aprendente” tem como bagagem cultural e social e o que o “ensinante” pode utilizar como ponto de partida para que alfabetizar não seja apenas transmissão de conteúdos, mas um direito ao qual cada aluno tem de ser respeitado em seu ritmo de desenvolvimento.

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