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14 de novembro de 2008
Psicopedagogia: ensinantes e aprendentes no processo de aquisição do conhecimento
Autor(a): João Beauclair

Revista Científica da FAI, Santa Rita do Sapucaí, MG, v.7, n.1, p. 46-51, 2007
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João Beauclair
Mestre em Educação, arte-educador, psicopedagogo, professor dos
cursos de pós-graduação da FAI e da Fundação Aprender

RESUMO
Com as expressões ensinante e aprendente, designamos uma nova visão da relação entre educadores e
educandos, onde os espaços e tempos do aprender estão para além das escolas e são percebidos na complexidade e na
totalidade da vida de cada um de nós, sujeitos inseridos na dinâmica relacional do viver e conviver com os outros. No
campo da Formação de Profissionais em Psicopedagogia, principalmente na formação inicial, é importante mostrar como
esta dimensão proposta por Alicia Fernández é significativa e amplia nossos referenciais educativos. Este artigo é uma
construção textual onde a experiência da docência e as buscas de aprofundamentos teóricos se mesclam, num fazer que,
a cada nova vivência como ensinante, tem sido imenso manancial de novas idéias e sistematizações.
Palavras-chave: psicopedagogia, aprendizagem, educação, metodologia.

Psicopedagogia: ensinantes e aprendentes no processo de aquisição do conhecimento
organizar idéias e abordagens, com o intuito de compartilhar
e contribuir para nosso pensar, nosso agir e nosso fazer em
Educação e Psicopedagogia.
Sendo assim, desde meu inicial movimento nas
sendas da Psicopedagogia, tenho produzido textos, artigos
e ensaios publicados em sites brasileiros e europeus e
participado de diversos eventos nacionais e internacionais
como conferencista e palestrante, além de ter publicado
três diferentes livros sobre a temática, com a organização
de informações e leituras que se propõem a indicar
caminhos de interlocução entre Educação e Psicopedagogia.
É na analise de questões relativas às próprias
influências de nossas vivências em processos de
ensinagem, seja como ensinantes ou como aprendentes,
que se encontra o início para pensarmos na formação em
Psicopedagogia, que se apresenta repleta de desafios em
nosso tempo presente.
Com cada nova turma onde atuo, apresento
inicialmente o campo da Psicopedagogia, para que seja
possível desenhar um conhecimento geral, trabalhando
principalmente com conceitos que considero principais
para, posteriormente, apresentar minha própria proposta
de trabalho, que visa fundamentalmente estimular e
fomentar o desejo da autoria de pensamento, validando a
trajetória de cada aprendente e mostrando principalmente,
que competências e habilidades mínimas hoje, são
requeridas para a atuação profissional psicopedagógica.
Este artigo, portanto, é um misto entre relato de
experiência e busca de aprofundamento teórico, de um fazer
que, a cada nova vivência, é manancial imenso de novas
idéias e sistematizações.
EM BUSCADE FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Enquanto campo de conhecimento humano, a
Psicopedagogia tem sido influenciada por diversas
correntes teóricas e, em seu histórico, sempre esteve
voltada para as questões relativas à aprendizagem. Nas
décadas de 50 e 60 do século passado, em seu iniciar, a
visão predominante era a médica.
Nesta visão, buscava-se enfocar problemas que
ocorriam com os sujeitos em relação à aprendizagem a partir
de
uma
abordagem
neuropsicológica,
INTRODUÇÃO
Foi com Fernández (1990, 2001) que aprendi o
significado das expressões ensinante e aprendente, termos
que esta psicopedagoga argentina utiliza para designar uma
nova visão da relação entre educadores e educandos, onde
os espaços e tempos do aprender estão para além das
escolas e são percebidos na complexidade e na totalidade
da vida de cada um de nós, sujeitos inseridos na dinâmica
relacional do viver e conviver com os outros.
Esta mudança de olhar, sobre as relações existentes
nos atos humanos de ensinar e aprender, presentes no
processo de aquisição do conhecimento, nos mostra a
flexibilidade no exercício de cada um desses papéis visto
que nesta dinâmica, em determinados momentos o sujeito
é o ensinante e em outros, o aprendente.
No campo da Formação de Profissionais em
Psicopedagogia, principalmente na formação inicial, área
que tenho atuado como ensinante faz alguns anos, sempre
busco mostrar como esta dimensão proposta por Alicia
Fernández é significativa e amplia nossos referenciais
educativos.
No ato de pesquisar, ler e reler, sempre me
proponho a integrar estudos na área psicopedagógica por
acreditar que neste campo de ação, atuação e produção
teórica temos um caminho excelente e inovador para
continuar a percorrer, aceitando o desafio permanente de
avançar no campo da formação de psicopedagogos.
(BEAUCLAIR, 2006, 2007)
A cada nova experiência, com aulas em cursos de
Pós-Graduação em Educação e Psicopedagogia, tenho
novos e importantes movimentos de autoria de pensamento,
vivenciados numa metodologia construída a partir da práxis
pedagógica e psicopedagógica de agir e fazer, buscando
maior interatividade e fomento ao desenvolver de novos
profissionais que abracem a Psicopedagogia como uma
efetiva possibilidade profissional e de ressignificação de
seus próprios modos de viver a dimensão do aprender em
suas vidas.
A busca por uma contínua fundamentação teórica
tem me levado a construir diversas possibilidades de
interlocução e o contato com diversas áreas relacionadas à
aprendizagem que, cada vez mais, estimula meu desejo de
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Psicopedagogia
psicopedagógica e é muito rica a produção que podemos
notar neste período.
O processo de aprendizagem passa a ser tema
essencial para se compreender a construção do sujeito
cognoscente, meta maior a ser alcançada para que ele se
torne capaz de ser o próprio responsável pela construção
do conhecimento.
O SER E O SABER NA CONSTRUÇÃO DO SUJEITO
COGNOSCENTE
Numa perspectiva tradicional, sabemos que a
aprendizagem tem sido compreendida como pista de mão
única, onde o professor possui a tarefa de repassar o saber
para o aluno, percebido como um ser que precisa receber
este saber, sem que nenhum outro processo seja válido.
Desconsiderando as relações sociais, nesta visão do
processo de aprendizagem, somente o professor detém o
saber e entre alunos e professores nenhuma outra espécie
de vínculo pode haver a não ser esta: o professor sabe e o
aluno não sabe, portanto, a tarefa educativa deve ser a de
repassar o que o professor sabe para o aluno, que,
supostamente, nada sabe e só vai aprender se receber o
saber.
Na atualidade, muitos são os movimentos
pedagógicos para mudar definitivamente este modo de fazer
educação, visto que existem diversos trabalhos e diferentes
práticas que propõem mudanças de olhar e percepção sobre
a aprendizagem, redefinindo os agentes de todo o processo
e seus respectivos papéis.
Da pista de mão única à de mão dupla: uma boa
metáfora para pensarmos sobre o par conceitual ensinantes
e aprendentes, em processos de aprendências e ensinagens.
(BEAUCLAIR, 2006). Em muitos momentos, é preciso criar
novos campos semânticos para mudarmos nossas
percepções e nossos paradigmas: a construção de novas
idéias remete-nos a necessidade de buscarmos novas
expressões, para significar novas possibilidades, e como
isso, trazer mudanças ao nosso pensar.
No caso especifico do par conceitual aqui
colocado, o que considero essencial é relacionar
aprendentes e ensinantes como caminhantes, numa mesma
direção. A poética que tal modificação induz
já que a existência de problemas de aprendizagem
apresentados por tais sujeitos gerava fracassos no espaço
e no tempo da escola e, para que se chegasse a sua solução,
deveria investigar qual era a dificuldade, qual era o
problema.
Nos anos 60 e 70, a Psicopedagogia interessou-
se pelos condicionamentos, saindo da abordagem focada
apenas nas possíveis falhas e avaliando os desempenhos
dos sujeitos em situação de aprendizagem numa perspectiva
behaviorista.
Considerando os porquês das dificuldades e dos
problemas de aprendizagem nos sujeitos, os estudos
psicopedagógicos da década de oitenta mudam o enfoque
e passam a ser consideradas as diferentes influências do
meio social e cultural, abandonando a perspectiva de
somente observar como estas dificuldades e problemas se
manifestam.
A visão que surge, então, é considerada como
sendo uma visão social, levando em conta a relevância das
influências do meio sócio-cultural para a aprendizagem. As
idéias de Lev S.Vygotsky ganham espaço e fundamentam
novas perspectivas para se compreender as dinâmicas
presentes nos processos de aprendizagem, construindo
um perfil profissional psicopedagógico baseado na
interdisciplinaridade como metodologia e proposta de
adoção de estratégias de intervenção e pesquisa.
É um momento bastante fecundo, onde novas
teorizações e aportes significativos surgem como
elementos fomentadores da práxis psicopedagógica que, a
partir de então, ganha novas perspectivas de ação e novos
espaços para sua inserção. Na década de 90, com os
avanços em outros campos do saber humano,
principalmente das Neurociências, da Biologia, da
Sociologia e da Psicolingüística, entre outras revisões
epistemológicas, a Psicopedagogia insere-se,
definitivamente, como um a área de atuação e um campo do
saber humano interdisciplinar.
Com isso, a Psicopedagogia avançou no sentido
de objetivar, cada vez mais, o sujeito na construção de sua
autonomia, vinculando o eu cognoscente as suas relações
com a aprendizagem. Processos de investigação sobre a
construção, integração e expansão deste sujeitoaprendente
se tornam cada vez mais presentes na pesquisa
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Psicopedagogia: ensinantes e aprendentes no processo de aquisição do conhecimento
ao nosso pensar é que, aos estarmos juntos nos processos
de aprender e ensinar, de lidar com informações,
conhecimentos e saberes, é possível elaborarmos em
parceria vínculos como passaporte para a aprendizagem,
expressão belíssima que tomo emprestado de Dulce
Consuelo Soares (SOARES, 2003).
Em “A inteligência aprisionada”, Fernández (1990)
trabalha esta importante questão, quando elabora idéias
para refletirmos sobre uma concepção de processo da
aprendizagem onde o aprendente é considerado como um
sujeito pensante, portador de sua inteligência e onde ao
ensinante, através dos vínculos que conseguem firmar, é
portador do conhecimento: nesta relação, aprendentes e
ensinantes estabelecem uma relação entre fatores que,
quando colocados em jogo, facilitam processos de
aprendências, com gosto de denominar.
E que fatores são estes? Pelo que aprendi com
Fernández (1990) é o organismo individual que o
aprendente herdou, o seu corpo, construído de modo
especular, e a sua inteligência, que é auto-construída nas
interações e na arquitetura do desejo, que sempre é o desejo
de outro.
Assim, é essencial o vínculo que se estabelece
entre ensinantes e aprendentes, para compreendermos o
como aprendemos. Sara Paín, referencial também importante
para nossos estudos em Psicopedagogia, nos convoca a
pensar que a aprendizagem é um importante processo que
nos permite vivenciar a transmissão do conhecimento de
um outro que sabe, para um aprendente que vai tornar-se
sujeito e desenvolver sua subjetividade pelo fato de estar
em processo de aprendizagem (BEAUCLAIR, 2007).
Tal processo, entretanto, só acontece de modo
qualitativo quando o ensinante consegue utilizar as
instâncias do orgânico, do corpo, do intelecto e do desejo,
integrando ao saber de cada aprendente conhecimentos
aprendidos e que podem ser utilizados de modo
significativo, transformando assim, o ensino em
conhecimento.
Aprendentes, como sujeitos da aprendizagem,
possuem saberes que os sustentam e tais saberes são frutos
de seus próprios movimentos e buscas por novas
aprendizagens e novos conhecimentos. É na articulação
do organismo, do corpo, do desejo e da inteligência que o
aprendente, como sujeito, se constitui. No movimento que
faz ao interagir com a família e a escola, com as instituições,
com os outros, enfim, o aprendente constrói a sua
modalidade de aprendizagem, de modo constante e
permanente.
Assim, o ser e o saber na construção do sujeito
cognoscente, do sujeito aprendente, é tema essencial para
buscarmos aprofundamentos teóricos e reflexivos, que nos
conduzam a pensar nas complexas dinâmicas presentes no
ato humano de ensinar e aprender.
“Aprendentes, como sujeitos da aprendiza-
gem, possuem saberes que os sustentam e
tais saberes são frutos de seus próprios
movimentos e buscas por novas aprendiza-
gens e novos conhecimentos”.
AS COMPLEXAS DINÂMICAS NO ATO HUMANO
DE ENSINAR E APRENDER: idéias, processos e movi-
mentos para pensarem Aprendizagem
Diante do que até aqui expus, e com os referenciais
admitidos, aprendizagem é processo onde o organismo, o
corpo, a inteligência e o desejo articulam-se em busca de
determinado equilíbrio. Entretanto, a estrutura intelectual,
de acordo com Jean Piaget precisa de equilíbrio para
estruturar o conhecimento do real e, assim, sistematizá-lo
por meios dos movimentos de assimilação e acomodação.
(PIAJET, 1970, 2001)
Com o estudo deste importante autor, aprendemos
que assimilação pode ser compreendida como movimen-
tos dos processos de adaptação, através dos quais os ele-
mentos presentes no ambiente são alterados, com o intuito
de serem incorporados à estrutura do organismo.
Já por acomodação, conforme aprendemos em
Piaget (1970,2001), entendemos como sendo os movimen-
tos que elaboram os processos de adaptação que alteram o
organismo, em concordância com as características do
objeto com o qual se relaciona.
Assim, o organismo é sustentado e evolui através
das relações que consegue estabelecer com o ambiente
onde se insere e, deste modo ele se adapta, utilizando-se
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Psicopedagogia
dos movimentos de assimilação e acomodação.
De acordo com Fernández (2001), são estes
movimentos de adaptação que configuram a arquitetura
onde a atribuição simbólica de significações próprias, que
o sujeito aprendente faz, em relação aos processos de
aprendizagem onde interage Entretanto, para que todo este
processo favoreça adaptações inteligentes, é necessário
que os movimentos de acomodação e assimilação estejam
em equilíbrio, ou seja, um não pode predominar em excesso
sobre o outro. Com os estudos de Sara Paín é possível
observar os processos de hipoassimilação /
hiperacomodação, e de hipoacomodação/hiperassimilação,
que constituem as diferentes modalidades presentes nos
processos representativos que afetam a formação deste
equilíbrio. (PAÍN, 1979, 1988, 1996, 1999).
Tais modalidades interferem tanto nas reações e
respostas que o organismo produz em sua interação com o
meio, quanto nos processos de aprendizagem, que se
pressupõe normal quando esta é produzida numa relação
onde os movimentos assimilativos e acomodativos
apresentem-se em equilíbrio.
São as elaborações objetivantes e subjetivantes
que farão com que o sujeito aprendente e desejante, de
fato, aprenda, pois aprender é apropriar-se, e tal apropriação
permite que o objeto do conhecimento, da aprendizagem,
seja ordenando e classificado. No aspecto subjetivo, tal
movimento irá gerar o reconhecimento e a apropriação do
objeto, como resultado das vivências e das experiências
que o aprendente obteve com sua relação e interação com
este objeto. Vale a pena relembrar que todo este processo
ocorre na articulação das instâncias do organismo, do
corpo, da inteligência e do desejo que constituem o mover-
se do sujeito aprendente, além dos vínculos que consegue
estabelecer com os outros aprendentes e com os seus
ensinantes.
Todas estas idéias favorecem o nosso pensar, agir
e refletir para as questões relativas à aprendizagem em nosso
tempo. Se o aprendente se faz sujeito desejante de modo
gradativo, a construção do seu saber deve ser investigada
e analisada. Cabe a todo ensinante ser ponto de referência,
suporte colaborativo e atencioso, observando expectativas
e necessidades e valorizando, cada vez mais, as
construções e descobertas de seus aprendentes.
CONSIDERAÇÕES EM ABERTO: AQUISIÇÃO DO
CONHECIMENTO,
VIVÊNCIAS
E
COMPARTILHAMENTOS
Nos espaços e tempos educacionais, devemos
buscar de modo permanente o aprender e o ensinar com
prazer, proporcionando que esta palavra/sensação prazer
esteja presente nas ações e estratégias de aprendizagem. A
aprendizagem afeta a dinâmica individual de cada
aprendente e tem forte interferência no articular das
instâncias do organismo, do corpo, do desejo e da
inteligência. Nossas ações como ensinantes devem
considerar tais interferências, centrando-se na busca pelas
transformações. Aaprendizagem é possibilidade, mas sem
o desejo não se transforma em oportunidade. São
requeridas pela nossa contemporaneidade novas posturas
e iniciativas, compreendendo o espaço e o tempo da escola
como estímulos à construções de teias de significações,
onde o aprendente possa transformar-se e libertar suas
potencialidades, vivenciando ricas experiências com os
objetos que interage. Cada ensinante pode construir em
suas ações de ensinagem espaços de confiança,
credibilidade e amorosidade, onde seja possível a alegria
da autoria, a alegria do aprender e do ensinar, a alegria de
viver enfim.
Nas experiências que tenho vivido, como
mediador em cursos de pós-graduação em Educação e
Psicopedagogia, a busca permanente tem sido esta: ao
estarmos em grupo, almejarmos sentidos criativos e lúdicos
ao nosso mover-se no mundo da construção do
conhecimento e do compartilhamento solidário de
experiências.
Proponho aqui um momento de reflexão, com o
auxílio de um belo texto de (FREIRE, 2000).
“Cada ensinante pode construir em suas
ações de ensinagem espaços de confiança,
credibilidade e amorosidade, onde seja
possível a alegria da autoria, a alegria do
aprender e do ensinar, a alegria de viver
enfim”.
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Psicopedagogia: ensinantes e aprendentes no processo de aquisição do conhecimento
EU NÃO SOU VOCÊ
VOCÊ NÃO É EU
“Eu não sou você
Você não é eu
Mas sei muito de mim
Vivendo com você
E você, sabe muito de você vivendo comigo?
Eu não sou você
Você não é eu
Mas encontrei comigo e me vi
enquanto olhava você
Na sua, minha, insegurança
Na sua, minha, desconfiança,
Na sua, minha, competição,
Na sua, minha, birra infantil
Na sua, minha, omissão
Na sua, minha, firmeza
Na sua, minha, impaciência
Na sua, minha, prepotência
Na sua, minha,fragilidade doce
Na sua, minha, mudez aterrorizada
E você se encontrou e se viu, enquanto
olhava para mim?
Eu não sou você
Você não é eu
Mas foi vivendo minha solidão
que conversei com você
E você conversou comigo na sua solidão ou fugiu
dela, de mim, de você?
Eu não sou você
Você não é eu
Mas sou mais eu, quando consigo
lhe ver, porque você me reflete
No que eu ainda sou
No que já sou e
No quero vir a ser...
Eu não sou você
Você não é eu
Mas somos um grupo, enquanto
somos capazes de, diferencialmente,
eu ser eu, vivendo com você e
Você ser você, vivendo co (...)"

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