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14 de novembro de 2008
Alfabetização em discussão
Autor(a): Heloisa Amara

Alfabetização em discussão: o debate na Comunidade Virtual Escrevendo o Futuro
Heloisa Amaral

O Fórum da Comunidade Virtual Escrevendo o Futuro tem sido palco de discussões acaloradas e bem fundamentadas sobre educação em geral e ensino de língua em particular. Um dos debates mais relevantes do Fórum é o que discute os métodos em alfabetização. Na discussão, uma linha de pensamento predomina: os métodos de alfabetização não são a questão fundamental, o que está em questão, na verdade, é a relação entre professor, aluno e metodologia empregada no ensino de língua.

Nas discussões, muitas vêm sendo as contribuições importantes. Para Roselene dos Anjos, mediadora da Comunidade, é importante a leitura do artigo sobre letramento e alfabetização de Magda Soares para esclarecer pontos controversos:

Magda Soares questiona em seu texto a falsa idéia, que surgiu com o construtivismo, de condenação ao método na educação. O que vocês pensam a esse respeito? O método é algo que engessa o processo pedagógico ou pode ser visto como um auxiliar importante para o trabalho do professor?

Se você quiser saber porque Roselene traz as palavras de Magda Soares para confirmar sua posição sobre a questão, leia "Letrar é mais que alfabetizar", entrevista concedida por Magda e publicada na revista Intervox, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Para Ladanir Millack, uma das pessoas que têm mais contribuído para as discussões no Fórum, a polêmica que hoje se faz sobre métodos de alfabetização é um grande equívoco. Para ela, não é o uso de um único método que resolve os "problemas de alfabetização". Ela discute o assunto buscando as origens da questão.

"Quando o construtivismo começou a ganhar espaço, cometeu-se um grande equívoco: nos cursos de atualização de professores, passou-se a idéia de que os métodos silábico e fônico eram um atraso e que os professores deveriam abandoná-los, pois a criança aprendia de determinada forma." (...) Na verdade, nada se joga fora, sempre se alia um conhecimento a outro. Que volte o método fônico. O professor competente vai tirar dele o que ajuda, mas sem abandonar nenhum outro método. Devemos extrair de cada um aquilo que vai ajudar a criança a ser alfabetizada.

Se você quiser saber mais sobre o debate sobre método fônico e construtivismo na alfabetização e o que pensam os pesquisadores Telma Weiss e Fernando Capovilla sobre esse assunto, leia as entrevistas em que ambos expõem seus pontos de vista sobre o assunto,

Valquiria do Carmo de Moraes contribuiu para a discussão afirmando que acredita que todo método ajuda, desde que o professor saiba o que está fazendo:

Acredito que deva ser assim: todo método com seu devido mérito, mas principalmente que o professor tenha conhecimento e segurança no que está ministrando. O método fônico tem seu papel importante nas classes populares, pois, ao contrário do que se pensa, muitas crianças ainda se encontram fora da "mágica da informatização e do mundo globalizado". Mas aqui entra o bom senso e o estudo do professor em saber encaminhar seus alunos a essas informações, transformando mediocridade e alienação em curiosidade, vontade e conhecimento.

Já Zélia de Oliveira Gominho amplia o debate e faz uma comparação entre a aprendizagem que sua filha vem realizando no contexto familiar e a aprendizagem de crianças que não têm acesso fácil à leitura, chamando atenção para o peso que as diferenças sociais têm no processo de construção de conhecimentos sobre a escrita:

É inquietante saber que embora nossas crianças, atualmente, tenham muito mais estímulos visuais que no passado, principalmente através dos meios de comunicação, conquistar as competências do ler e escrever ainda não seja tão fácil, principalmente para as camadas populares. No momento, deixo de observar os "filhos alheios" para observar o processo de minha própria filha de 2 anos e 9 meses, que desenvolve sua percepção visual de palavras e já tem noção do que é ler, onde está escrito; e lembro, e inevitavelmente comparo, com os pequenos de 4-5 anos de idade da rede pública que, geralmente, ainda estão nesse processo de identificação. Que são os métodos frente ao peso do contexto socioeducativo em que essas crianças estão inseridas?

Como você viu por essa amostra, as contribuições dos participantes do Fórum são excelentes e contribuem para tornar a Comunidade um espaço de aprendizagem em que todos saímos ganhando. Onde todo mundo ensina, todo mundo aprende.

Heloisa Amaral é pesquisadora do Cenpec e faz parte da Equipe do Prêmio Escrevendo o Futuro.




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